PAN recua e vota a favor do estado de emergência

O PAN vai votar favoravelmente à renovação do estado de emergência, mas não de “ânimo leve”, nem como um cheque em branco ao Governo. Inês Sousa Real insta o Executivo de António Costa a apostar no reforço do SNS mas também de “ouvir e dar resposta às carências reais na vida das pessoas”, das empresas e das organizações não governamentais.

Inês Sousa Real anunciou que o Partido dos Animais e Natureza (PAN) irá alterar o sentido de voto das últimas votações, e irá votar a favor da renovação do estado de emergência, argumentando que “não existe outra alternativa” que assegure o reforço das medidas de controlo à pandemia.

“O estado de emergência não é um instrumento que deva ser banalizado ou desgastado, ou ser usado de ânimo leve, uma vez que acarreta a restrição de direitos fundamentais que têm consequências na economia e na vida e saúde das pessoas”, explicou a deputada na sua intervenção, esta quarta-feira, durante o debate na Assembleia da República sobre a renovação do novo estado de emergência que deverá vigorar a partir desta quinta-feira até 30 de janeiro.

Para Inês Sousa Real durante “os dois meses em que se aliviaram as medidas”, “não se reforçou nem se acelerou os concursos para o Serviço Nacional de Saúde, menos ainda se formou profissionais de saúde para prestarem cuidados na unidades de cuidados intensivos (UCI)” e nem “os hospitais de campanha não se anteciparam para o cenário “que aqui vem”. “Estes dados instam-nos a agir com seriedade”, acrescentou a representante parlamentar.

Porém, embora o PAN passe agora a votar a favor da renovação do Estado de Emergência, a deputada alerta que “este não pode ser um cheque em branco”.

“Se por um lado exigimos a máxima responsabilidade das pessoas, temos que exigir que o Governo dê respostas e tenha o máximo empenho e ambição na resposta ao innevitável agravamento da pandemia”, reforçou, salientando que está na hora de “o Governo não ficar fechado na sala do conselho de ministros” e ouvir forças políticas, comunidade científica, mas também de “ouvir e dar resposta às carências reais na vida das pessoas”, das empresas e das organizações não governamentais.

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