Pandemia na Venezuela atinge ponto mais alto, previsão é para aumentar

“Podemos passar de uma segunda para uma terceira onda, porque ao ter poucas pessoas vacinadas, há incentivos naturais para aumentar a transmissão e [para que] a pandemia cresça. Isso é o que provavelmente vai passar na Venezuela, no segundo semestre do ano”, disse o médico infecciologista Júlio Castro.

O infecciologista venezuelano Júlio Castro, instou terça-feira a população da Venezuela a que mantenha e reforce as medidas preventivas da covid-19, alertando que a pandemia está “no ponto mais alto”.

“Estamos em um pico alto e sustentado. A notícia não é boa e [o pico] não vai cair”, disse o médico especialista aos jornalistas.

Júlio Castro, que também é assessor da oposição para a área da saúde, alertou que há clínicas venezuelanas sem material para fazer os testes PCR.

Por outro lado, alertou que se registaram casos em que as pessoas foram infetadas nas filas para serem vacinadas contra a covid-19, que diz estarem a decorrer de maneira desordenada no país.

“Podemos passar de uma segunda para uma terceira onda, porque ao ter poucas pessoas vacinadas, há incentivos naturais para aumentar a transmissão e [para que] a pandemia cresça. Isso é o que provavelmente vai passar na Venezuela, no segundo semestre do ano”, disse o médico.

O apelo do médico teve lugar no mesmo dia em que a Monitor Saúde (organização que reúne profissionais da saúde) alertou que os centros de saúde de vários estados venezuelanos estão colapsando.

“Queremos advertir que os casos da covid-19 estão a aumentar. A curva parece acelerar-se e alguns estados do país começam a apresentar um colapso nos centros de saúde”, alertou, através da rede social Twitter.

Entretanto, a imprensa local noticiou na terça-feira de queixas de várias pessoas que foram convocadas para se dirigirem aos centros de vacinação e depois de passarem várias horas numa fila foram informadas de que as vacinas acabaram.

“De repente disseram-nos que fossemos para casa porque as vacinas terminaram, mas convocaram as pessoas”, explicou Thays Suárez aos jornalistas, lamentando que os idosos passem horas ao sol, chuva, e com fome, junto do Hotel Alba Caracas, um dos centros de vacinação locais.

Nas últimas 24 horas, a Venezuela registou 1.233 novos casos e 20 mortes.

Domingo, a organização não-governamental Médicos Unidos da Venezuela (MUV) alertou que “não há controlo” da vacinação, do número de mortes e da situação dos hospitais.

“É cada vez mais evidente que não há controlo da informação. Não há controlo da morbilidade. Não há controlo de óbitos. Não há controlo do que acontece nos hospitais e não há controlo da vacinação. Este é um alerta. A pandemia na Venezuela está fora de controlo”, avançou a MUV na sua conta no Twitter.

Desde março de 2020 que a Venezuela está em quarentena preventiva e atualmente tem um sistema de sete dias de flexibilização seguidos de outros sete dias de confinamento rigoroso.

O país contabilizou 2.865 mortes e 254.116 casos da doença, desde o início da pandemia, de acordo com dados oficiais.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.813.994 mortos no mundo, resultantes de mais de 176,1 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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