Pandemia salientou a importância da tecnologia na investigação, dizem diretores do Instituto Gulbenkian e da Champalimaud

Apesar da importância da tecnologia, os investigadores defenderam, numa Web Talk organizada pela JE e a Huawei, o reconhecimento e investimento em investigação fundamental, bem como a capacidade dos institutos de investigação de serem flexíveis.

“Quando pensamos na reviravolta que os nossos institutos tiveram nos últimos meses (…) a tecnologia é, definitivamente, muito importante”, começou por defender Mónica Bettencourt Dias, Diretora do Instituto Gulbenkian da Ciência, numa Web Talk organizada esta sexta-feira pelo Jornal Económico e a Huawei  e que faz  parte do ciclo de conferências online “A Step Into the Future”.

“Nos últimos 30 anos houve um grande investimento nas pessoas da ciência, no conhecimento que produzem e na expertise técnica, mas também na tecnologia e nas nossas infraestruturas”, disse Mónica Bettencourt Dias, que salientando a importância destas no combate à covid, por exemplo, “nos diagnósticos PCR dos vírus, com infraestruturas que nos permitem fazer o diagnóstico mais rápido e robotizado”.

Henrique Veiga-Fernandes, diretor da Champalimaud Research, destacou a criatividade necessária para manter a investigação e “conseguir levar a cabo iniciativas que anteriormente pareceriam impossíveis de fazer remotamente”.

No entanto, a importância agora exibida, na opinião dos directores, de uma investigação robusta, competente e capaz de responder rapidamente parece, por vezes, difícil de valorizar perante a opinião pública ou os decisores políticos.

Apesar da mais valia transmitida para a sociedade parecer “relativamente simples no papel, ao utilizar descobertas fundamentais mais básicas, particularmente ao nível da biomedicina, ao dispor de novas estratégias de diagnóstico ou tratamento da doença X ou Y”, na realidade não o é, visto que o “caminho desde a descoberta básica até às mãos dos clínicos demora muito tempo – 5, 10 anos – mas também exige um investimento muitíssimo significativo que, no essencial, não tem estado nas mãos dos sectores públicos, mas sim dos privados”, afirmou Henrique Veiga-Fernandes.

“Portugal começa agora a ter uma massa crítica em termos do que é o conhecimento adicional inovador do ponto de vista básico e os resultados estão aí, com capital de risco internacional a começar a estar focalizado e a dar atenção às várias instituições biomédicas” do nosso país, concluiu o director da Champalimaud Research.

Mónica Bettencourt Dias reforçou a importância da tecnologia na inovação, lembrando ainda que, apesar da “automatização de processos ser fundamental para o futuro e para a ligação entre a investigação e a medicina, mas por detrás de toda esta tecnologia está, normalmente, a investigação fundamental.”

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