O governo norte-americano entra agora na segunda semana de shutdown, que já tem afetado a divulgação de importantes dados económicos, que ajudam a Reserva Federal (Fed) a tomar uma decisão sobre as taxas de juro.
Na quinta-feira o presidente da Fed, Jerome Powell, vai falar numa conferência, que pretende discutir as principais questões enfrentadas pelo setor bancário comunitário.
O shutdown está a levar a uma valorização do ouro, que na manhã de terça-feira atingiu um novo máximo. “O metal precioso está a ser apoiado por uma forte procura de ativos de refúgio, impulsionada pela contínua incerteza económica e geopolítica, agravada pelo encerramento do governo dos Estados Unidos. Outro fator de suporte é a crescente expectativa de que a Reserva Federal venha a cortar as taxas de juro pelo menos mais duas vezes até ao final do ano”, afirma Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.
Apesar da paralisação, o setor tecnológico ainda continua a dar ânimos aos investidores, principalmente depois do acordo entre a OpenAI e a AMD. “O acordo prevê que a OpenAI utilize processadores da AMD na sua infraestrutura de inteligência artificial, com uma capacidade inicial estimada em 1 gigawatt na segunda metade de 2026. Além disso, o contrato permite que a OpenAI adquira até 10% da AMD através de warrants vinculados a metas de desempenho e preço das ações, uma estrutura que alinha os interesses entre ambas as empresas. Na sequência, as ações da AMD abriram a sessão com uma subida próxima dos 35%. A AMD não foi a única impactada pelo evento, já que várias outras ações mencionadas nas apresentações também reagiram positivamente, refletindo a influência crescente da OpenAI no ecossistema tecnológico”, refere Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe.
“No entanto, a crescente concentração do mercado em torno da OpenAI levanta questões sobre a sua sustentabilidade, tendo em conta que a empresa já celebrou acordos avaliados em cerca de um bilião de dólares e deverá registar perdas próximas dos 10 mil milhões este ano, segundo estimativas de mercado, salienta.
A demissão repentina de Sébastien Lecornu “mergulha a França numa instabilidade política sem precedentes desde o início do segundo mandato de Emmanuel Macron. O presidente francês enfrenta agora um dilema: nomear urgentemente um novo primeiro-ministro, dissolver uma Assembleia Nacional já fragmentada ou assumir, pelo menos simbolicamente, a responsabilidade pelo impasse atual”, aponta Antoine Andreani, diretor de research da XTB França.
O analista salienta que “as consequências são imediatas para os mercados de capitais, com os juros da dívida publica a subirem, enquanto o CAC 40 caiu quase 2% durante a sessão de segunda-feira, com os bancos franceses a liderarem as perdas”.
Já na terça o índice recuperou um pouco, tendo fechado o dia a avançar 0,04%. “França encontra-se numa posição delicada: déficits orçamentais elevados, instabilidade política e crescente desconfiança dos investidores criam uma combinação tóxica. Em setembro de 2025, a dívida pública atingiu 3,345 biliões de euros, ou 114% do PIB, a mais elevada da zona euro”, afirma.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com