Parlamento dividido mas preocupado com situação no Chile

O parlamento debateu esta sexta-feira cinco projetos de resolução sobre a situação no Chile. Apenas o do PS, de “preocupação pela violação dos direitos humanos no Chile”, foi aprovado.

O parlamento debateu esta sexta-feira cinco projetos de resolução sobre a situação no Chile, onde, no último mês, se verificaram manifestações contra as desigualdades sociais e a constituição do país, mas apenas um, do PS, foi aprovado.

No total, foram apresentados cinco projetos de resolução de condenação, preocupação ou repúdio, embora com diferenças, em que se notou uma divisão esquerda-direita. O cruzamento dos votos contra ou a abstenção do PS e PSD e dos partidos de esquerda ditou o chumbo dos projetos de resolução do BE, IL, CDS e PCP.Apenas o do PS, de “preocupação pela violação dos direitos humanos no Chile”, foi aprovado, apesar da abstenção do PCP e PEV, e do voto contra do Chega.

O Bloco de Esquerda propôs um voto de “condenação e preocupação sobre a situação no Chile”, o PCP pretendia condenar a repressão contra as manifestações e o PS quis expressar a sua preocupação pela violação dos direitos humanos. À direita, o texto do CDS era de condenação e preocupação pelos “ataques ao Estado de direito e à ordem pública no Chile”. Já a Iniciativa Liberal (IL) propunha que o parlamento repudiasse o “abuso de poder do Estado do Chile na repressão das manifestações”.

As manifestações no Chile surgiram em outubro em protesto contra um aumento do preço dos bilhetes de metro em Santiago, decisão que seria suspensa e posteriormente anulada pelo governo liderado pelo Presidente chileno Sebastián Piñera. Mas, apesar do recuo, as manifestações e os confrontos, que já fizeram 22 mortos, prosseguiram devido à degradação das condições sociais e às desigualdades no país.

Na terça-feira, milhares de chilenos reivindicaram em várias cidades o fim das desigualdades e melhorias na educação e saúde e o aumento das pensões, durante uma greve geral convocada após três semanas de protestos.

Aprovada em 1980 num controverso referendo e em plena ditadura de Pinochet, a Constituição chilena foi revista ao longo dos anos mais de 40 vezes, mas continua a ser foco de críticas por causa do seu espírito neoliberal e por favorecer a iniciativa privada em setores encarados como essenciais como a saúde, a educação ou o sistema de pensões.

No domingo, o Presidente chileno, Sebastián Piñera, anunciou que está a preparar um projeto para alterar a Lei Fundamental, uma das principais exigências dos manifestantes.

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