Partido do presidente de Ucrânia com vitória praticamente assegurada

Primeiro a presidência, agora o governo: o ator Volodimir Zelenski está a transformar a Ucrânia num pais totalmente novo. O novo Parlamento vai ser radicalmente diferente do que foi até aqui.

Stepan Franko/EPA via Lusa

Volodimir Zelenski, ator e cómico, continua a surpreender: depois de ter sido eleito presidente da Ucrânia, prepara-se agora para ver o seu partido, o Servidor do Povo, ‘açambarcar’ as eleições para o parlamento, que decorreram no passado domingo. Numa altura em que estão contados mais de 80% dos votos, o partido de Zelenski tem, segundo revelam os jornais locais, cerca de 42%.

Se estes resultados se confirmarem, o partido – criado há algumas semanas – vai conseguir uma inédita possibilidade de formar um governo que não precisará de andar à procura de coligações para governar. A Ucrânia tem um sistema misto para a eleição do Parlamento: combina um voto para a lista dos partidos nacionais e outra de deputados distritais.

Paralelamente, o partido do ex-presidente Poroshenko, derrotado pelo ator em abril, alcançou apenas 8,4% dos votos. Desde logo, estes resultados querem dizer que o Parlamento se vai encher de caras novas e de cidadãos que até agora estavam completamente arredados da atividade política. É que Zelenski construiu um partido ‘à sua imagem e semelhança’: nada de nomes sonantes, nada de políticos que decidissem vestir a capa do arrependimento, nada de pessoas com relevância regional.

E a fórmula, mais uma vez, parece ter agradado ao ucranianos – que têm na corrupção uma das suas maiores dores de cabeça, depois de décadas a tratar com políticos que se imiscuíam nos negócios e vice-versa. Esta é, aliás, a razão que os analistas encaram como necessária e suficiente para que o fenómeno do surgimento de Zelenski tenha sido possível, e logo num país que tem os problemas que tem com a Rússia.

Moscovo já disse previamente que continua a seguir a política ucraniana com especial cuidado. “Vamos continuar a acompanhar de perto a situação na Ucrânia. Esperamos que o crédito recebido pelo novo Parlamento seja usado sabiamente para fins pacíficos e para o benefício de todo o país”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros do governo de Vladimir Putin em comunicado.

Por se falar em Rússia, há outro dado importante: a plataforma de Yuri Boiko e Viktor Medvedchuk, abertamente pró-Rússia, atingirá quase 13% dos votos, o que é um indicador relevante e inesperado.

Entretanto, o presidente revelou no domingo, dia das eleições, que já iniciou consultas para nomear um novo primeiro-ministro, passo anterior ao da formação de um governo, e explicou que, em princípio, será um economista “sem passado político”.

Ler mais
Recomendadas

Espiões russos usaram os Alpes franceses como base para ataques em vários países

Os agentes suspeitos do homicídio de Sergei Skripal no Reino Unido em 2018 passaram por esta região. No total, passaram pelos Alpes 15 operacionais da unidade 29155 da agência de espionagem russa GRU.

Cidade versus campo: Tribunal francês dá razão a 60 patos considerados “barulhentos”

O vizinho argumentou que não conseguia dormir com as janelas abertas, mas o tribunal considerou que estavam asseguradas as devidas distâncias entre as duas propriedades.

FMI aprova segunda fase do programa de Angola e ‘dá’ 222 milhões de euros

O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou hoje o pagamento de 247 milhões de dólares a Angola, no seguimento da aprovação da segunda avaliação do programa de ajustamento financeiro, num total de 3,7 mil milhões de dólares.
Comentários