Partidos portugueses divididos entre elogios e críticas a fundo europeu de 750 mil milhões

O Plano de recuperação europeu define 500 mil milhões de euros a fundo perdido e 250 mil milhões em empréstimos, sendo que Portugal poderá receber 26,3 mil milhões de euros em subvenções e empréstimos.

Os partidos já reagiram à proposta da Comissão Europeia de 750 mil milhões de euros para o Fundo de Recuperação da Europa e a opiniões divergem. PCP e  Bloco de Esquerda consideraram a medida insuficiente, mas o PS, PSD e CDS-PP não partilharam da mesma opinião.

O partido comunista considerou que a proposta da Comissão Europeia fica “aquém dos valores de referência que tinham vindo a ser sinalizados por diversas instituições”. “A questão de fundo que se coloca é a de saber quais as condicionantes e imposições que estarão associadas a estas verbas e se as mesmas continuarão amarradas aos critérios da União Europeia empurrando o País para uma espiral de endividamento, ou se vão ser canalizadas para aquilo que faz falta ao País”, disse Jerónimo de Sousa num vídeo publicado no site do partido.

O Plano de recuperação europeu define 500 mil milhões de euros a fundo perdido e 250 mil milhões em empréstimos, sendo que Portugal poderá receber 26,3 mil milhões de euros em subvenções e empréstimos.

Tal como o PCP, a eurodeputada do Bloco de Esquerda Marisa Matias disse que a proposta “fica muito aquém dos montantes que necessitaríamos para responder à crise pandémica”. Marisa Matias criticou ainda a “muita condicionalidade associada” ao Fundo de Recuperação da União Europeia e garantiu que este é um fundo “subfinanciado e sobre condicionado”.

Para a eurodeputada do Bloco de Esquerda, a Comissão Europeia deveria ter apresentado uma “proposta robusta, com financiamento que respondesse às necessidades, e que retirasse a condicionalidade do mapa dos recursos que vão ser disponibilizados”.  “Estaremos a caminhar para um futuro que já conhecemos, porque é muito igual ao passado”, referiu Marisa Matias num vídeo publicado na sua página de Facebook e depois no site do partido.

Por outro lado, Carlos César, o presidente do PS, assumiu ter apreciado “de forma muito positiva a insistência com que a presidente da Comissão Europeia enquadrou a apresentação da sua proposta, mencionando repetidamente expressões que dão conteúdo político inequívoco”, tendo falado de “recuperação coletiva”, de “convergência”, de “interdependência” e insistido na palavra “coesão”.

Em entrevista à TSF, Carlos César relembrou que “em boa verdade, a procissão pode ainda estar no adro” e explicou que o Conselho Europeu ainda “terá que procurar chegar a entendimento” e ” depois tem que passar pela aprovação do Parlamento Europeu”.

Quem também aguarda a aprovação do Parlamento Europeu é o PSD, que classificou a proposta europeia como “interessante e ambiciosa”. “Este plano ultrapassa velhos fantasmas, designadamente de mutualização da dívida, embora o que é uma boa notícia no princípio pode não o ser no fim”, alertou a Isabel Meirelles deputada e coordenadora do PSD da Comissão de Assuntos Europeus.

Já a preocupação do CDS-PP vai para a forma como o Governo português vai aplicar o dinheiro que vai receber do Fundo de Recuperação Europeia. “É um sinal positivo, é um passo importante, é uma ideia de que a solidariedade europeia pode estar a funcionar. E pode ser muito relevante para Portugal, ainda que seja preciso esclarecer qual será a repartição, como é que Portugal aplicará este dinheiro e que obrigações de reembolso é que terá”, disse Telmo Correia, deputado dos centristas, na página do partido.

Ler mais
Relacionadas

Bruxelas defende que o aumento do malparado compromete o crescimento do PIB

A Comissão Europeia publicou um estudo onde refere que a acumulação de elevados rácios de NPL reduz o crescimento do PIB em 1,5 pontos percentuais por ano, pelo menos nos próximos seis anos.

Especialistas e políticos reúnem-se hoje pela sétima vez para analisar epidemia

Especialistas, políticos e parceiros sociais reúnem-se hoje, pela sétima vez, no Infarmed, para analisar a situação epidemiológica da covid-19 em Portugal, na véspera de o Conselho de Ministros decidir em relação à terceira fase de desconfinamento.

Bruxelas abre a porta a novas fontes de financiamento. O que pode vir aí?

União Europeia vai emitir dívida para financiar o Fundo de Recuperação, mas Ursula von der Leyen quer novos recursos próprios. Na diversificação das fontes de financiamento estão um imposto adicional às gigantes tecnológicas, a extensão do regime do comércio de licenças de emissões e o mecanismo de ajustamento das emissões de carbono nas fronteiras.
Recomendadas

INEM tem 18 profissionais infetados com Covid-19 e 39 de quarentena

Num boletim hoje divulgado, o Instituto Nacional de Emergência Médica avança que, a 22 de novembro, estavam 18 trabalhadores infetados, 38 em isolamento profilático e 16 profissionais estavam sob vigilância da Comissão de Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos (CCIRA) do INEM, sendo o registo mais elevado desde o início da pandemia.

CGTP reconhece avanços no OE mas acusa PS de “manter intocáveis interesses do grande capital”

Para a Intersindical, “a situação que atravessamos, resultado de décadas de política de direita agravadas pela Covid-19, carece de uma resposta articulada, abrangente e que rompa com as causas que estão na origem dos constrangimentos estruturais com que o país se debate”.

Brexit: Portugueses falharam quase oito mil candidaturas à residência no Reino Unido

Das 296.850 candidaturas de cidadãos portuguesas processadas até ao final de setembro, 7.780 foram consideradas inválidas (3.610 ), retiradas ou anuladas (3.370) ou recusadas (800), o que corresponde a 2,6%, acima da média geral.
Comentários