PremiumArménio Carlos: “Patrões estão abaixo da média em termos de formação”

Secretário-geral da CGTP, a dias de deixar o cargo, diz que os aumentos propostos pelo Governo aos funcionários públicos “não são admissíveis” e que muitas empresas dependem dos salários baixos.

Quase a terminar o segundo mandato à frente da CGTP, que coordenou em tempos de “troika” e de “geringonça”, Arménio Carlos faz o balanço dos problemas dos trabalhadores portugueses e dos desafios para a liderança a eleger no congresso que arranca hoje. Certo é o regresso do sindicalista de 64 anos, que sai por limite de idade, aos quadros da Carris.

Na legislatura anterior havia um Executivo com apoio parlamentar de partidos nos quais a maioria dos dirigentes da CGTP votaram. Foi doloroso ver o Governo a não corresponder às vossas expectativas?
Só seria doloroso se as criássemos. Definimos consensualmente uma posição clara. Estando numa situação nova, e sabendo que temos várias sensibilidades partidárias…

…todas elas representadas naquela maioria parlamentar.
Sem dúvida nenhuma. Por isso foi ainda mais relevante decidirmos que, independentemente de quem estava no Governo, a CGTP não deixaria de ter intervenção autónoma e não iríamos discutir posicionamentos partidários, e sim as propostas apresentadas pelo Governo às reivinidicações. Se fossem positivas, apoiávamos; se fossem negativas ou não correspondessem ao proposto, então criticávamos. É verdade que em 2016 houve redução do número de greves. Mas foi o ano em que o Governo começou a cumprir com a devolução dos rendimentos e direitos. Se a CGTP tinha lutado por essas reivindicações, não iria lutar contra a sua implementação. A partir de 2017 aumentou o número de greves e de iniciativas de luta, pois não houve resposta. Não houve contradição entre aqueles que são sindicalistas, independemente de serem do partido A ou do partido B, e a sua intervenção.

Se os números oficiais revelam que a partir de 2017 houve mais contestação, a que se deve a ideia de que o PCP refreou a CGTP no âmbito da nova maioria?
Só posso responder com os dados da Direção-Geral das Relações de Trabalho, que demonstram o contrário. E houve também um aumento significativo do número de greves no setor privado. Lamentavelmente, alguém lança uma mensagem e os outros seguem-na.

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