Pedro Nuno Santos diz que Portugal vai ser ‘hub’ “altamente qualificado” para tecnologias digitais e energia verde

O ministro das Infraestruturas garantiu no Mobile World Congress de Xangai que Portugal vai “abraçar a transformação alavancada pelas tecnologias digitais”, procurando “um papel relevante no mundo”.

Mário Cruz/LUSA

O ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, afirmou esta segunda-feira, numa iniciativa da Huawei integrada no Mobile World Congress (MWC) de Xangai 2021, que o Governo tem o objetivo de fortalecer o papel de Portugal na Europa como um “hub de inovação para as tecnologias digitais, energia verde e económica altamente qualificado e talentoso”.

Em videoconferência, o governante participou no painel ”ligados para partilhar a prosperidade”, defendendo que Portugal tem um legado histórico com a Ásia no que respeita ao “intercâmbio cultural e à partilha do conhecimento”. Por isso, relembrando que o país tem um passado de descobertas e que é uma porta de entrada da cultura asiática na Europa, desde o século XV, Pedro Nuno Santos defendeu que Portugal pode ser palco de “novos caminhos” entre a Europa e o continente asiático.

“A pandemia veio provar que todos nós devemos ser mais ativos na partilha do conhecimento e de soluções. E isso só produzirá efeitos se esse esforço se desenvolver de forma rápida e colaborativa”, argumentou.

“Nenhum país pode viver unicamente das suas conquistas históricas, virado para o passado. É, por isso, que Portugal precisa de tirar o melhor partido das tendências atuais para poder conduzir no futuro a mais recente revolução tecnológica”, prosseguiu.

O ministro das Infraestruturas garantiu que Portugal vai “abraçar a transformação alavancada pelas tecnologias digitais”, procurando “um papel relevante no mundo”.

“Sendo o país mais ocidental da Europa, temos uma localização geográfica estratégica para ligar estações de cabos submarinos e centros de dados, o que faz de Portugal um ponto crucial neste sector tão essencial para a digitalização da economia e da sociedade”, salientou Pedro Nuno Santos. Neste ponto, o ministro aludia ao EllaLink, o cabo submarino transatlântico acorado em Sines, desde o início do ano, e que ligará a Europa à América do Sul, abrindo um corredor para a transmissão de dados entre os dois continentes. Prevê-se que esteja operacional até ao final do ano.

Acresce a procura da disponibilidade das energias renováveis, em Portugal. Essa preocupação vai continuar a ser uma prioridade no futuro, com Pedro Nuno Santos a salientar o papel de Portugal na corrida ao hidrogénio, tendo “vários projetos em preparação”.

“Esta combinação de excelente conectividade e disponibilidade de energia verde posiciona Portugal como um local muito interessante para o desenvolvimento dos ecossistemas digitais do futuro”, afirmou o governante.

Pedro Nuno Santos conclui a sua intervenção referindo que a “bioeconomia circular e a transformação digital” representam uma “tremenda oportunidade” para “desenvolver a industria portuguesa, aumentar a produtividade e a competitividade, bem como a transformação estrutural da nossa economia”.

Refira-se que os planos a que Pedro Nuno Santos aludiu no MWC de Xangai de 2021 correlacionam-se com ambições previstas no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O PRR assenta em três pilares “estruturantes” – resiliência, transição climática e transição digital -, prevendo 36 reformas e 77 investimentos, que se traduzem em 13.944 milhões de euros em subvenções. Estão ainda previstos 2.699 milhões de euros em empréstimos, que poderão ou não ser utilizados, uma vez que o Executivo ainda está a estudar o tema.

O MWC de Xangai, em que participou Pedro Nuno Santos, arrancou esta segunda-feira naquele que foi o seu ‘dia 0’. O evento decorre este ano de forma 100% online até ao dia 26 de fevereiro.

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