“Peregrinação”, o novo livro de Olivier Rolin

Eis a sugestão de leitura desta semana da livraria Palavra de Viajante: memórias em jeito de divagações pela pluma de Rolin, um livro perfeito para viajar no sofá.

A pedido do autor, o mais recente livro do francês Olivier Rolin teve edição simultânea em França, pela Gallimard, e em Portugal, pelas mãos da Sextante, uma chancela da Porto Editora. Entre outras razões, por ter sido parcialmente escrito aquando de uma residência literária de Rolin em Cascais, a convite da Fundação Dom Luís I, mas sobretudo pelo seu carinho pelo nosso país, onde tem bons amigos e é sempre bem recebido. O título da obra em português, “Peregrinação”, foi uma escolha do escritor – o título original é “Extérieur monde” –, que presta assim homenagem à literatura e à língua portuguesas.

 

 

“Peregrinação” é uma divagação – talvez seja mais correcto dizer que é um conjunto de divagações – através da vida do escritor e das várias viagens que tem realizado, normalmente a destinos algo impensáveis para o comum dos turistas, como o Afeganistão ou o Sudão, país que aprendeu a amar ao longo de múltiplas deslocações, apesar dos acontecimentos políticos e do peso da religião que asfixiam a população autóctone.

Por entre estas recordações encontramos relatos mais apaziguadores, por vezes mesmo com alguma poesia, traço comum a alguns dos melhores escritores de literatura de viagem, como a breve descrição do observatório meteorológico e sismológico Príncipe Alberto do Mónaco, no Monte das Moças, no Faial, Açores, construído em 1915, ou do passeio de bicicleta no meio de campos de girassol, na ilha de Chongming, no estuário do Yangtzé, na China.

Mesmo quando vai a lugares mais visitados, como Buenos Aires onde tentou conhecer Borges, Olivier Rolin envolve-se com a população local e experiencia momentos que lhe proporcionam memórias preciosas, ainda que nalguns casos algo dolorosas, como em Sarajevo durante o famigerado cerco, que durou quase quatro anos, de 1992 a 1996. Ou em Magadan, porto do mar de Okhotsk, na Sibéria, que Chalamov descreve como o “desembarcadouro do Inferno” nos seus “Contos de Kolimá”, onde chegaram milhares de deportados durante o tempo de Estaline.

São estas memórias que o autor partilha com os seus leitores, dando-nos um retrato fascinante do mundo (e, naturalmente, da sua vida), ainda que por vezes também surja algum desencanto, nomeadamente no capítulo das conquistas mais ou menos falhadas de elementos do sexo feminino. Se juntarmos as várias referências a livros e seus autores, de Chateaubriand a Yourcenar, passando por Malcolm Lowry, “Peregrinação” é um livro perfeito para viajar no sofá.

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