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Petição contra abate de jacarandás em Lisboa já conta com mais de 43 mil assinaturas

Grupo de cidadãos condena “absolutamente o abate destas árvores e falta de transparência na planificação da construção deste parque de estacionamento subterrâneo, em especial num local que se tem transformado cada vez mais numa ilha de asfalto, cimento, pó, automóveis e barulho, sem grande solução à vista por parte da Câmara Municipal de Lisboa”.
26 Março 2025, 11h51

A petição contra o abate de 25 jacarandás e o transplante de outros 22 na Avenida 5 de Outubro em Lisboa para a construção de um parque de estacionamento já conta com 43.750 assinaturas neste momento.

A petição de um grupo de “cidadãos preocupados com a sua rua” critica o “abate de árvores adultas, mas também a falta de comunicação sólida e de prestação de esclarecimentos acerca do assunto”. Consideram que a “pouca qualidade de vida que esta avenida ainda oferece seja atacada por escolhas incompreensíveis por parte da sua Câmara Municipal”.

O grupo condena “absolutamente o abate destas árvores e falta de transparência na planificação da construção deste parque de estacionamento subterrâneo, em especial num local que se tem transformado cada vez mais numa ilha de asfalto, cimento, pó, automóveis e barulho, sem grande solução à vista por parte da CML”.

A carta aberta também destaca que os jacarandás são uma “ferramenta fundamental: numa cidade cada vez mais quente, refrescam as ruas fustigadas pelo calor refletido pelo chão, chapas de obras e prédios, contribuem para a substituição de CO2 por O2 e filtram do ar pós – mesmo em frente à zona referida decorrem as obras da antiga Feira Popular, com perfurações, camiões de entulho, entre outros – e a fuligem da grande afluência de trânsito nas avenidas já referidas. Não nos podemos esquecer que Entrecampos é uma das zonas com pior qualidade do ar na cidade, bem acima do legalmente permitido (ver os níveis de concentração de dióxido de azoto, NO2, no relatório da CML de Julho de 2021, “Caracterização da Qualidade do Ar (NO2) na cidade de Lisboa – Campanhas de monitorização de 7 a 21 de novembro de 2020”)”.

Na terça-feira a autarquia de Lisboa disse que vão ser realizadas duas apresentações públicas na sexta-feira (18h00) e na quarta-feira da próxima semana (17h30) no Centro de Informação Urbana de Lisboa.

A diretora municipal dos Espaços Verdes Catarina Freitas adiantou ontem que neste eixo em questão existem 5 jacarandás, 30 serão mantidos, 20 serão transplantados (a que se juntarão dois plátanos) e os restantes 25 serão abatidos; simultaneamente, serão replantados 39 jacarandás, a que se juntarão 49 outras árvores, segundo a “Agência Lusa”.

Desta forma endereçam várias perguntas à autarquia de Lisboa, presidida por Carlos Moedas:

“1. Em que medida a construção do estacionamento subterrâneo da Operação Integrada de Entrecampos motiva o abate e transplante destas árvores?

2. De que maneira a saúde dos jacarandás neste sector difere da dos da restante avenida? E de que maneira a saúde dos jacarandás a abater difere daqueles que serão transplantados? O que inviabiliza a transplantação de alguns destes jacarandás?

3. Qual a razão para se substituir os jacarandás abatidos por árvores de outra espécie? Foi tida em conta a antiguidade destas árvores bem como o perfil arbóreo da restante avenida? Foi medido o impacto ambiental desta substituição?

4. Qual a justificação para a localização escolhida pela CML para a plantação das duas árvores que a lei a obriga a plantar por cada abate de outra árvore? Por que não foi escolhido o mesmo local onde será feita a intervenção urbanística?

5. Qual a responsabilidade dos serviços da CML no estado de degradação de muitas destas árvores? Em que medida houve negligência por parte dos serviços competentes na manutenção destas árvores?

6. Se a utilidade deste abate e transplante é a criação de estacionamento subterrâneo, será devolvido mais espaço público aos munícipes, retirando o estacionamento à superfície?

7.A CML consegue garantir que o estacionamento subterrâneo não trará mais automóveis para esta zona da cidade já tão sobrecarregada de tráfego rodoviário?

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