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Petrolíferas norte-americanas preveem ganhar 63 mil milhões com guerra no Médio Oriente

Barril acima dos 100 dólares beneficia produtores sem exposição ao Médio Oriente. Crise no estreito de Ormuz leva gigantes do setor a suspenderem contratos de entrega de gás natural.
15 Março 2026, 11h26

As empresas petrolíferas dos Estados Unidos devem receber uma receita extra superior a US$ 60 bilhões neste ano caso os preços do petróleo se mantenham nos níveis alcançados com o início da guerra com o Irão.

Projeções do banco de investimentos Jefferies estimam que as produtoras americanas vão gerar US$ 5 bilhões adicionais em fluxo de caixa só neste mês, após alta de cerca de 47% nos preços do petróleo desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.

Se o barril do petróleo americano permanecer elevado e registar média de US$ 100 ao longo do ano, as empresas receberão um impulso de US$ 63,4 bilhões, segundo a consultoria de energia Rystad.

Com o barril do Brent a superar US$ 100 na quinta-feira (12), o presidente Donald Trump se vangloriou numa publicação nas redes sociais: “Os Estados Unidos são, de longe, o maior produtor de petróleo do mundo. Então, quando os preços sobem, ganhamos muito dinheiro.”

O índice West Texas Intermediate, seguido como referência pelos americana, fechou a US$ 98,71 o barril na sexta-feira (13).

O fluxo de caixa adicional deve beneficiar as empresas de xisto americanas, com atuação limitada no Médio Oriente. O cenário é mais complexo, porém, para as maiores companhias internacionais do setor.

ExxonMobil e Chevron, assim como as europeias BP, Shell e TotalEnergies, têm ativos espalhados pelo Golfo Pérsico e são mais afetadas pelo fecho do Estreito de Ormuz. A produção foi interrompida em diversas instalações nas quais algumas dessas cinco empresas dominantes do mercado petroleiro têm participação acionária, o que forçou a Shell a suspender, sob a alegação de motivos de força maior, a entrega de carregamentos de gás natural liquefeito que planeava embarcar pela planta Ras Laffan, da QatarEnergy.

As dificuldades de operar na região ficaram evidentes na quinta-feira, quando a SLB —antiga Schlumberger e maior empresa de serviços petrolíferos do mundo— comunicou os acionistas que iria rever em baixa as suas projeções de lucro.

Martin Houston, veterano do setor e presidente da Omega Oil and Gas, afirmou: “Não há vencedores nessa situação —e certamente não são as companhias internacionais de petróleo. Estas prefeririam o status quo de duas semanas atrás a uma crise que eleva temporariamente os preços.”

“As empresas nacionais de petróleo do Oriente Médio e seus parceiros terão de reconstruir infraestruturas danificadas. Mas a grande preocupação é o fecho sem precedentes do estreito, mesmo que por um curto período”, acrescentou.

Uma solução rápida para a crise não parece estar próxima. O novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, afirmou na quinta-feira que as forças militares do país manterão fechado o estreito —por onde passa um quinto do petróleo e do gás mundiais— enquanto busca ampliar sua margem de pressão sobre os Estados Unidos e Israel.

Cerca de 18 milhões dos 20 milhões de barris de petróleo que normalmente transitam diariamente pelo estreito continuam bloqueados, segundo pesquisa do Goldman Sachs. O impacto é ainda mais grave para o setor de GNL (gás natural liquefeito), com aproximadamente um quinto da produção global paralisada.

O banco RBC Capital Markets afirmou na sexta-feira que espera que o conflito se prolongue até a primavera no hemisfério norte e que o Brent pode superar US$ 128 o barril em três a quatro semanas.

Thomas Liles, da Rystad, disse: “O fecho do estreito vai prejudicar as companhias nacionais de petróleo do Médio Oriente, enquanto as grandes petrolíferas ocidentais —que respondem por cerca de 20% da produção upstream total no Catar, nos Emirados Árabes Unidos, no Iraque e na zona neutra entre a Arábia Saudita e o Kuwait— também podem sofrer impactos significativos.”

BP e Exxon estão entre as mais expostas à crise no Médio Oriente: mais de um quinto do fluxo de caixa livre que devem gerar em 2026 com operações globais de petróleo e GNL vem da região. O equivalente para a TotalEnergies é de 14%, enquanto Shell e Chevron registram 13% e 5%, respectivamente, segundo a Rystad.

As supermajors expandiram recentemente sua presença na região, firmando acordos na Síria, na Líbia e em outros países, na busca por ampliar reservas e aumentar a produção.

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