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Porque é que a compra de pizzas dispara em Washington em momentos de conflito?

De cada vez que os EUA vão intervir militarmente em algum ponto do globo, o consumo de pizzas dispara na capital norte-americana. É assim há 35 anos.
5 Janeiro 2026, 14h50

‘Top secret’ em Washington? Basta estar atento às pizzarias para saber que algo se passa. Não se aprende nas universidades, mas é crucial para jornalistas de política na capital norte-americana. “Regra básica para jornalistas: monitorizem sempre as pizzas”, disse o jornalista Wolf Blitzer em 1990.

Trinta e cinco anos depois, a Pizzato Pizza recebeu uma série de pedidos tardios na madrugada do sábado passado.

Localizada em Arlington, Virginia, na mesma zona onde fica o Pentágono, a sede do ministério da Defesa dos EUA, os pedidos tiveram lugar apenas uma hora depois de os EUA bombardearem a capital da Venezuela durante 30 minutos.

Horas mais tarde, soube-se que a força especial Delta Force tinha capturado o presidente Nicolas Maduro que vai responder num tribunal de Nova Iorque por acusações de tráfico de droga e de armas.

A ‘teoria da pizza’ continua a surtir efeito: de cada vez que os EUA preparam ou realizam uma intervenção militar, ou os seus aliados, o Pentágono encomenda pizzas devido ao trabalho tardio e a impossibilidade dos seus membros saírem do edifício em momentos cruciais.

A atividade das pizzarias na região do Pentágono é monitorizada pela plataforma ‘Pentagon Pizza Index’ há décadas.

Este barómetro tem prenunciado grandes eventos mundiais desde os anos 80, incluindo a invasão do Panamá pelos EUA em 1989, a operação Tempestade do Deserto no Kuwait em 1991, invasão do Kuwait, ou os mais recentes ataques de Israel ao Irão.

Exemplo: na noite de 1 de agosto de 1990, a CIA encomendou 21 pizzas numa única noite antes da invasão iraquiana do Kuwait, tendo estabelecido então um novo recorde.

Este barómetro tem sido um “surpreendente e fiável indicador de eventos ‘sísmicos’ globais – desde golpes de estado a guerras – desde a década de 80”, disse o jornalista da “Economist” Alex Selby-Boothroyd em junho quando a plataforma detetou um disparo na atividade das pizzarias na capital norte-americana devido ao bombardeamento do Irão por Israel.

Por outro lado, se os inimigos dos EUA querem antecipar movimentações, basta ficar atento às pizzarias junto do Pentágono, ou à própria plataforma, destaca a “Newsweek”.

Há seis meses, quase todas as pizzarias perto do Pentágono registaram um “grande aumento de atividade”, incluindo We the Pizza, Domino’s Pizza, District Pizza Palace e Extreme Pizza.

Uma hora depois da publicação, a televisão pública iraniana confirmava explosões na capital Teerão fruto dos ataques de Israel.

Os EUA não estiveram diretamente envolvidos, mas o presidente Trump confirmou mais tarde que estava a par da operação.

Mas a plataforma não se limitar a analisar pizzarias. Em junho, notou que três horas depois do ataque, um bar gay próximo do Pentágono registava pouco movimento para uma quinta-feira à noite, apontando que se devia a uma “noite movimentada no Pentágono”, segundo a “France Presse”.

E os gostos do pessoal do Pentágono também vão variando ao longo dos anos. Em 2024, durante os ataques de Israel ao Irão, a plataforma apontou que tinha havido um disparo nas encomendas de restaurantes de fast food na área, mas sem encomendas de pizzas.


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