Portugal paga 1% para vender três mil milhões em dívida a 30 anos. Procura superou 40 mil milhões

A yield da emissão fixou-se nos 85 pontos base acima da taxa swap do euro a 30 anos (0,156%) o que corresponde a 1,006%, com o IGCP a aproveitar o ambiente de taxas de juro baixas para fazer o ‘rollover’ da dívida e reduzir o custo do financiamento.

Cristina Bernardo

O IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – colocou esta quarta-feira três mil milhões de euros em Obrigações do Tesouro (OT) com prazo de 2052, tendo pago 1,006% numa venda sindicada na qual a procura atingiu um recorde acima dos 40 mil milhões de euros, ou 13 vezes superior à oferta.

“Com esta emissão a 30 anos o IGCP consegue alargar a oferta em Obrigações do Tesouro, a maturidade mais  longa antes desta emissão era a 24 anos. O ambiente atual de taxas juro historicamente baixas, é muito benéfico para este tipo de emissões e enquanto assim for irá permitir fazer o rollover da dívida com um custo significativamente mais baixo”, afirmou Filipe Silva, diretor de investimentos do Banco Carregosa.

A yield da emissão fixou-se nos 85 pontos base acima da taxa swap do euro a 30 anos (0,156%) o que corresponde a 1,006%.

A última vez que Portugal fez vendas sindicadas de OT a 30 anos foi em 2015, quando registou procura de seis mil milhões em janeiro e 1,5 mil milhões em abril, recorda.

O Credit Agricole CIB, Deutsche Bank, Morgan Stanley, J.P. Morgan, Nomura e NovoBanco foram os joint lead managers da operação.

A última venda sindicada ocorreu a 1 de julho de 2020, quando o IGCP emitiu quatro mil milhões de euros do novo benchmark a 15 anos.

A agência liderada por Cristina Casalinho optou por não iniciar este ano, como costuma fazer, com o lançamento de uma nova linha de OT a 10 anos, optando por realizar um leilão, no qual pagou uma taxa negativa pela primeira vez (-0,012%), para emitir 500 milhões de euros.

[Atualizada às 12h55 ]

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