Portugal paga taxa negativa para emitir obrigações a oito anos

Até à data, o IGCP só tinha conseguido taxas negativas numa maturidade de OT, a de seis anos. A agência liderada por Cristina colocou o montante total máximo indicativo: 346 milhões de euros em dívida com maturidade em outubro de 2028 e 654 milhões com prazo em em abril de 2037.

Cristina Bernardo

O IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – emitiu esta quarta-feira um total de mil milhões de euros, o montante máximo indicativo num leilão duplo de Obrigações do Tesouro (OT) a oito e a 17 anos, tendo pago uma taxa negativa na maturidade mais curta, numa altura em que as yields da dívida portuguesa estão em mínimos de um ano no mercado secundário.

Até à data, o IGCP só tinha conseguido taxas negativas numa maturidade de OT, a de seis anos . Em julho, numa emissão de 430 milhões de euros, -0,108%, enquanto em janeiro colocou 564 milhões a uma taxa de -0,057%.

“O risco de Portugal tem estado estável e descendente nos últimos meses, com a dívida a 10 anos a atingir mínimos do ano 0,136%”, afirmou Filipe Silva, diretor de investimentos do Banco Carregosa. “Este movimento permitiu a emissão de dívida a oito anos com uma taxa negativa, aliás é o terceiro leilão do ano para maturidades longas onde tal foi possível, sendo que nos outros dois a maturidade dos leilões foi mais curta, seis anos”.

A agência liderada por Cristina Casalinho emitiu 346 milhões de euros em OT com maturidade em outubro de 2028 e 654 milhões em dívida com prazo em abril de 2037. O montante indicativo era entre 750 milhões e mil milhões.

Na dívida a oito anos, o Tesouro pagou uma taxa de colocação de -0,085%. A última colocação semelhante ocorreu a 26 de agosto, quando emitiu 450 milhões de euros em dívida a sete anos, com uma taxa de 0,095%.

Na maturidade mais longa, o IGCP pagou uma taxa de colocação de 0,472%. A 9 de setembro, Portugal pagou 1,045% para emitir 247 milhões de euros em dívida com prazo de 2045.

No mercado secundário, a taxa das OT portuguesas a 10 anos, o benchmark para a dívida nacional negoceia esta quarta-feira nos 0,141%, perto de mínimos de um ano. A dívidas soberanas da zona euro têm beneficiado da politica acomodatícia implementada pelo Banco Central Europeu, que inclui taxas de juro em níveis ultra-baixos e programas de compra de ativos.

“A descida do risco nacional acompanhou a tendência de todas as dívidas soberanas europeias, onde outros países também viram as suas taxas de referência de longo prazo atingirem mínimos”, sublinhou Filipe Silva. “O contínuo suporte do Banco Central Europeu associado ao fato de que iremos ter taxas baixas por um período longo de tempo, tem levado os investidores a procurarem investimentos onde ainda seja possível ter um retorno positivo ou menos negativo versus outras alternativas”.

“Os níveis atuais de taxas de emissão de dívida, têm permitido baixar significativamente o custo do serviço da dívida nacional,” concluiu.

[Atualizada ás 11h19]

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