Portugal sem mortes por Covid 141 dias depois. Médicos defendem que restrições são para manter

A Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública defende que as restrições devem manter-se na grande Lisboa e no resto do país, e que Governo e autoridades devem começar já a preparar o regresso às aulas, e como evitar uma segunda vaga no inverno.

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Portugal não registou qualquer morte por Covid-19 durante 24 horas entre domingo e segunda-feira. Mais de quatro meses e meio depois, ou 141 dias, não foram registadas vítimas mortais no espaço de um dia devido ao novo coronavírus.

Para a Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) este momento é “importante”, mas estes especialistas defendem que as restrições em vigor na Área Metropolitana de Lisboa devem-se manter assim como para o resto do país.

Analisando os números, o presidente da ANMSP considera que este registo “não muda aquilo que tem de ser feito. Este controlo da situação implica que se mantenha um conjunto de medidas em funcionamento que permite reduzir esta incidência, para números mais fáceis de gerir”.

Questionado se as restrições em vigor se devem manter para a Grande Lisboa, Ricardo Mexia não tem dúvidas que são para continuar.

“Apesar dos números serem baixos continua a haver alguma predominância dos casos nesta região. Demoraram, mas parecem estar a reduzir. É manter o que está em vigor, não queremos que voltem a aumentar”, defende o também responsável do Instituto Nacional Ricardo Jorge.

Em relação às medidas em vigor para o resto do país, aponta que “as atuais medidas já permitem um funcionamento de um conjunto de atividades” e que os portugueses precisam de se “adaptar a estas realidades”.

Para o futuro, o especialista defende que é preciso começar já a preparar o inverno para fazer face a uma segunda vaga. “Devem ser mantidas as medidas e deve ser feito o planeamento para o inverno, usando os recursos necessários para fazer face ao expectável aumento do número de casos, fruto da retoma de algumas atividades, usar este tempo para enfrentar o inverno com maior tranquilidade”.

Ricardo Mexia aponta que em alguns países europeu já se começou a verificar um aumento do número de casos após o desconfinamento.  “É importante não perder de vista que em diversos contextos europeus, os números começaram a subir, temos de manter a guarda para que isto não aconteça em Portugal, até porque vamos ter desafios importantes no inverno, com a retoma da atividade letiva e também a circunstancia das já habituais doenças respiratórias associadas ao inverno”.

Em relação às escolas, o presidente da ANMSP defende que é preciso preparar com tempo o regresso às aulas em segurança. “Temos que preparar essa retoma das aulas, não é sustentável que as crianças não regressem às atividades letivas, tem de haver uma solução equilibrada entre essa retoma e a saúde e evitar a disseminação, vai ser um desafio importante, temos de planear para enfrentar”.

“Temos que assegurar que nos espaços fechados que encontramos soluções que permitem minimizar o risco, isso inclui melhoria da ventilação, distanciamento físico importante, inclui que utilizem máscaras, tudo isso deve ser acautelado para que essas atividades no interior fruto de uma maior concentração de pessoas não resultem num aumento relevante do número de casos”, concluiu o especialista.

 

 

 

 

 

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