Tendo em conta que a reforma se afigura como uma aplicação financeira de longo prazo, não é fácil tomar uma decisão no presente, sobretudo atendendo ao rendimento disponível que é preciso colocar de parte mensalmente. A necessidade de um produto financeiro desta natureza reside precisamente na capacidade de assegurar a manutenção do estilo de vida e bem-estar após a reforma, o que faz com que o ideal seja iniciar este investimento durante a atividade profissional, entre os 30 e os 35 anos. A maior característica – que é transversal aos produtos de aforro – deste género de aplicações assenta no facto de o consumidor não estar apenas a poupar, mas igualmente a investir, ou seja, a rentabilizar o seu dinheiro conforme os desenvolvimentos do mercado.
Como alternativa às soluções tradicionais de poupança que estão com reduzidas rendibilidades, como é o caso dos depósitos a prazo, surgem os produtos de seguros, nomeadamente do ramo Vida. Dois exemplos destes são os PPR e os Unit Linked.
Como escolher a melhor solução? Comparando
Atualmente é possível poupar com taxas de retorno elevadas e garantir um melhor futuro financeiro? Para procurar responder a esta questão, a plataforma gratuita de comparação financeira ComparaJá.pt analisou em exclusivo para o Jornal Económico o mercado das soluções de poupança garantidas pelos PPR e pelos Unit Linked.
Com base na análise feita, Miguel Mamede, responsável da área de Seguros do ComparaJá.pt., afirma que “tudo depende da maior ou menor aversão ao risco de perda do capital investido, de quanto se está disposto a aplicar e da rentabilidade que é esperada com o investimento. Estes três fatores dão origem ao perfil de risco do investidor e ditam qual a solução mais adequada para um determinado consumidor”. Em seu entender, “efetivamente comparar diversas soluções, ver os benefícios e desvantagens de cada uma e aconselhar-se ao máximo é preponderante antes de se tomar uma decisão”.
No que à oferta diz respeito, o especialista sublinha que, se em termos de tipologia de produto não existem muitas soluções de poupança para a reforma, já dentro do campo dos produtos financeiros complexos a oferta é ampla. “Nas mais de mil e uma caraterísticas que cada solução possui, a complexidade e a rendibilidade variam exponencialmente e o risco também.
Especialmente no que toca a este último fator é deveras importante saber de antemão qual o risco que se está a correr e se se está disposto a arriscar para gerar mais dinheiro para a reforma. Não existem produtos isentos de risco”, explica.
Miguel Mamede aconselha ainda que se deve confirmar, mesmo com os PPR – cujo capital é, na maior parte das vezes, garantido – se os encargos com comissões e afins compensam face à taxa de rendibilidade média anual. “Se os primeiros igualarem ou suplantarem a segunda, então claramente o investimento não compensa. Importa assim consultar as soluções de vários bancos e seguradoras, verificar as comissões praticadas, saber as exigências ao nível dos reforços e, obviamente, olhar para o histórico de retorno para se ter uma noção do desempenho”, conclui.
No caso dos Unit Linked, cujo nível de risco nem sempre é percetível para o consumidor, o especialista defende ser preciso “ter ainda maior cautela”, devendo ser consultada, atentamente, a “Ficha de Informações Fundamentais ao Investidor” (IFI) que as instituições são legalmente obrigadas a fornecer.
As respostas do mercado
O exemplo criado nesta análise, visando perceber qual a oferta do mercado em termos de PPR e quanto se pode auferir durante 30 anos de trabalho (e até à idade de reforma) é o do Vasco, engenheiro informático com 35 anos, que aufere um rendimento mensal líquido de 1500 euros e que pondera começar a planear o seu futuro financeiro através da constituição de um PPR. Inicialmente, o Vasco está disposto a poupar 100 euros por mês, valor que aumentará 5% ao ano até ao final do prazo da aplicação. Isto significa que, no final dos 30 anos, quando o Vasco tiver precisamente 65 anos de idade, terá poupado sensivelmente 79.726,62 euros só de capital. A este valor acrescenta-se a rendibilidade gerada pelo PPR que escolher.
Por forma a saber qual o intervalo de valores que pode mediar essa mesma rentabilidade, compararam-se as ofertas de PPR de três seguradoras e dois bancos que apresentaram níveis de crescimento no ano de 2016 – Allianz, Zurich, Lusitânia, Bankinter e Santander Totta.
Para cada um dos PPR apresentados na tabela acima, compararam-se diversos aspetos. Em primeiro lugar, a rendibilidade anual média que cada uma destas soluções gerou nos últimos três anos civis. Com base nesta taxa foi possível aferir, numa lógica de ceteris paribus (mantendo-se tudo o resto constante, ou seja, assumindo-se a manutenção das condições de remuneração dos produtos), qual seria o retorno ao fim de 30 anos.
Em segundo lugar, apontam-se os encargos com subscrição, que correspondem a uma percentagem que é deduzida sobre a quantia que o aforrador entrega para investir. A título exemplificativo, considerando os 1200 euros que o Vasco aplicou no primeiro ano, se a sua comissão de subscrição for de 2%, tal significa que o montante que ficará a render será, na realidade, de 1176 euros.
Por sua vez, a comissão de gestão é cobrada anualmente sobre a quantia acumulada nesse ano. No momento do resgate do PPR é aplicada a comissão de resgate sobre o rendimento acumulado até ao final do prazo. Existem também PPR’s que garantem o capital investido e outros não.
Verifica-se também que a solução Allianz PPR Ativo garante um retorno de 4.968,98 euros, um valor bastante reduzido quando comparado com a opção Lusitânia Poupança Reforma PPR, cuja rendibilidade ao fim de 30 anos é de 58.212,29 euros. Enquanto a rendibilidade anual média da primeira é de 0,50%, a segunda é de 4,18%. No entanto, o PPR da Lusitânia é o que possui os encargos com comissões mais elevados.
Já as soluções Santander Totta PPR Capital Garantido, Bankinter PPR Rendimento Garantido S3 e PPR Zurich, com rendibilidades anuais médias semelhantes – 1,73%, 1,89% e 1,96%, respetivamente – garantem retornos entre 19 mil e 22 mil euros, aproximadamente. Os dois bancos em análise (Santander e Bankinter) garantem rentabilidades interessantes à semelhança das seguradoras.
Para investidores dinâmicos a solução pode ser Unit Linked
Ao contrário do que sucede com os PPR, o perfil do investidor neste tipo de aplicação é mais dinâmico (e até certo ponto arrojado), no sentido de estar disposto a assumir maiores riscos (nomeadamente rendimento nulo e, em certos casos, perda de capital) em prol de um retorno mais elevado (muitas vezes até superior à média do mercado). O risco desta aplicação é, assim, superior ao dos PPR na medida em que a sua rendibilidade depende, única e exclusivamente, da performance dos fundos que integram o Unit Linked. Consequentemente, o rendimento deste produto está dependente das decisões que os gestores dos fundos que o compõem tomam, não havendo garantia de rendibilidade e, in extremis, de recuperar o capital investido. A diversidade deste tipo de produtos financeiros complexos é ampla no mercado e nesta análise, a plataforma ComparaJá.pt, analisa as ofertas das seguradoras Ocidental, Mapfre, Groupama e Allianz e ainda a solução do banco Santander Totta. Assim, constatou que os produtos com menor nível de risco integram fundos fechados, permitindo apenas uma entrega única inicial, e não disponibilizam um histórico de rendibilidade, correspondendo ao Mapfre Investimento Certo – Não Normalizado e ao Ocidental Seguros Seguro Millennium Trimestral 2017 4.ª série. No que concerne à rendibilidade, atesta-se a regra de ouro em que maior risco corresponde a maior rendibilidade, como bem demonstra o caso do Groupama Equilibre, com um alerta de risco máximo considerado pela CMVM, mas cuja rendibilidade se fixou entre 3,87% e 16,64% nos últimos quatro anos, valores que contrastam, por exemplo, com o Santander Totta Agrupamento de Fundos Private Elite Equilibrado (entre 5,5% e 9%, mas com risco mais moderado). Ainda no âmbito da comparação surge o produto Allianz Híbrido, com fundo aberto, permitindo várias entregas periódicas e cuja comissão de contratação (até 1,5%) é a mais elevada e com nível de risco moderado. É de salientar que uma das grandes vantagens dos Unit Linked reside na questão fiscal: se o resgate decorrer após mais de oito anos desde a subscrição do produto, então, à partida, a taxa de IRS aplicada não deverá ultrapassar 11%. Portanto, a lei premeia quem investe em seguros de vida a mais de 8 anos, incentivando a poupança de longo prazo.
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