Prejuízos da Farfetch quintuplicaram para 537 milhões de dólares

A plataforma de moda de luxo liderada por José Neves aumentou o volume de negócios em 60%, para 798 milhões de dólares, mas prejuízos atingiram um valor recorde.

José Neves, Farfetch

Os resultados do terceiro trimestre do grupo de vendas online de luxo mostram um enorme aumento dos prejuízos, que se fixaram nos 537 milhões de euros, cinco vezes mais que no mesmo período de 2019 (90,484 milhões) e mais 100 milhões em relação ao segundo trimestre, segundo comunicado do próprio grupo.

Por outro lado, a Farfetch faturou mais 62% do que no mesmo período do ano anterior, totalizando 798 milhões de dólares, resultado que fica também ligeiramente acima do registado no segundo trimestre (721,30 milhões de dólares). Só a faturação da plataforma digital contabilizou 674 milhões de dólares, mais 60% do que no período homólogo. As receitas também aumentarem em 71% para 437,7 milhões de dólares.

No comunicado, o empresário português refere que a plataforma da Farfetch continua a acelerar, “alcançando mais um volume de negócios recorde, indicando que estamos a testemunhar uma mudança de paradigma a favor do luxo online”.

“O que estamos a ver é a aceleração da tendência secular da adoção online no setor de luxo — um setor que ainda é muito pouco penetrado [por este segmento]. Os recursos desenvolvidos em toda a plataforma da Farfetch nos últimos 13 anos, em antecipação à eventual digitalização da indústria de luxo, posicionam a Farfetch de maneira única para aproveitar esta oportunidade. E a parceria recentemente anunciada com a Alibaba e a Richemont posiciona-nos ainda mais, para que possamos aproveitar a oportunidade de levar a indústria de luxo à próxima geração e impulsionar o crescimento sustentado e a participação no mercado por muitos anos”, afirma José Neves.

Quanto aos prejuízos, a subida foi impulsionada “por perdas em itens mantidos a valor justo e remensurações, que aumentaram 405,4 milhões num ano, bem como pelos aumentos em pagamentos baseados em ações [aos colaboradores da empresa], despesas gerais e administrativas e despesas de depreciação e amortização, parcialmente compensadas pelo aumento do lucro bruto”.

Na semana passada, a Farfetch anunciou uma parceria global com o gigante da tecnologia chinês Alibaba, a empresa suíça Richmont e a francesa Artémis. No total, estas três empresas vão injetar 1,15 mil milhões de dólares na empresa. A emissão de títulos de obrigações convertíveis, a criação de uma nova empresa na China, a Farfetch China, e a compra de 50 milhões de ações são a forma que os investidores encontraram para se aproximarem do universo do empresários português.

Relacionadas

Alibaba, Richemont e Artemis investem 1,15 mil milhões de dólares na Farfetch

O grupo chinês de comércio eletrónico Alibaba e a suíça Richemont vão investir 300 milhões de dólares cada uma, na da compra de obrigações convertíveis da portuguesa Farfetch, de comércio online de moda de luxo. Já a Artemis reforça o investimento em 50 milhões de dólares. A Alibaba e a Richemont também vão investir 500 milhões de dólares (250 milhões cada) na Farfetch China.
Recomendadas

Sonae, SAP e Nestlé lideram programa europeu de requalificação de profissionais

De acordo com o comunicado divulgado esta sexta-feira, a primeira ação de formação será liderada pela Nestlé, dirigindo-se à requalificação de profissionais para o setor da Indústria. A formação para Técnicos de Manutenção irá arrancar em janeiro de 2022 no Serviço de Formação do Porto do IEFP e terá a duração aproximada de seis meses.

Teletrabalho. CES, parceiros sociais e Escola Nacional de Saúde vão estudar impacto do trabalho remoto

Explica o Conselho Económico e Social em comunicado que este projeto “tem como objetivo compreender de que forma o teletrabalho pode afetar a saúde mental e física dos funcionários e, indiretamente, o bem-estar no trabalho, a organização das empresas e a sua produtividade”.

Ordem dos Economistas. Veja ou reveja a entrevista a António Mendonça, novo bastonário da Ordem

A 7 de outubro, o então candidato a bastonário destacou em entrevista ao JE que o objetivo da sua candidatura passava por mudar a Ordem, prestigiar os economistas e colocar esses profissionais ao serviço do crescimento económico do país, nomeadamente no que diz respeito ao acompanhamento e monitorização do Plano de Recuperação e Resiliência. António Mendonça foi eleito esta sexta-feira, numa corrida eleitoral que contou com a presença de Pedro Reis.
Comentários