O volume de investimento em imobiliário comercial atingiu os 2,8 mil milhões de euros em 2025, o que significou um aumento homólogo de 22% e ficando 10% acima da média dos últimos 10 anos, segundo os dados revelados pela consultora Dils esta segunda-feira.
Para este valor contribuiu os 895 milhões de euros investidos no último trimestre do ano. Os setores de escritórios (39%), retalho e hospitality (ambos com 19%) representaram quase 80% do volume total quarto trimestre de, e mais de 70% do total anual. Com cerca de 60%, o capital internacional continua a ser o principal responsável pelo investimento em imobiliário comercial.
Entre as maiores transações destacam-se o Exeo Lumnia (120 milhões de euros), a Torre Oriente (80 milhões de euros), bem como a Quinta da Comporta e o Maison Albar – Le Monumental Palace 5*, ambos com valores entre 50 e 60 milhões de euros.
Analisando cada um dos segmentos, os escritórios registaram um volume de investimento de 666 milhões de euros, numa subida expressiva de 156% (maior aumento desde 2022), face a 2024, sendo que 356 milhões de euros foram investidos no quarto trimestre de 2025.
Em Lisboa, o mercado de escritórios registou, no quarto trimestre, uma ocupação de 72.854 metros quadrados, totalizando 204.241 metros quadrados em 2025, cerca de 8% abaixo de 2024. Uma quebra justificada pelo contexto de incerteza económica e geopolítica, bem como de fatores estruturais, como a deslocalização de grandes empresas e o novo stock previsto para os próximos anos. Contudo, as novas empresas representaram 30% da área ocupada.
Atualmente, estão em pipeline 370 mil metros quadrados, dos quais 125 mil metros quadrados deverão ser entregues em 2026, com mais de 50% já pré-ocupados.
As rendas prime continuam a subir, atingindo os 30 euros/m²/mês nas zonas Prime CBD, CBD e Zona Histórica e Ribeirinha, impulsionadas pela entrada de ativos de elevada qualidade e pela disponibilidade dos ocupantes em pagar um prémio por espaços que promovam a atração e retenção de talento.
Já no Porto, a ocupação de escritórios totalizou 43.700 metros quadrados, cerca de 43% abaixo de 2024 e abaixo da média histórica anual de 50 mil metros quadrados. Estão em pipeline 131 mil metros quadrados, dos quais 75.600 metros quadrados em construção e 43.200 metros quadrados previstos para entrega este ano.
O setor do retalho registou um investimento de 838 milhões de euros, uma descida de 28% em relação a 2024. No entanto, a atividade de investimento atingiu 173 milhões de euros no quarto trimestre de 2025, com o capital a direcionar-se predominantemente para ativos core high-street, assim como para estratégias core e core-plus em centros comerciais e retalho ancorado em supermercados.
O retalho representa a classe de ativos mais atrativa entre investidores nacionais, com cerca de 60% do volume total de transações. Os centros comerciais destacaram-se como o formato de retalho preferido no ano passado, com o crescimento das vendas a atingir 10% em 2025, após um aumento de 7% em 2024, crescimento que é sustentado por fundamentos operacionais sólidos e melhoria nos indicadores dos ocupantes. As rendas prime mantiveram-se estáveis, situando-se nos 140 euros/m²/mês em Lisboa e 85 euros/m²/mês no Porto, refletindo a solidez do mercado e a procura por localizações estratégicas.
Por seu turno, o setor de Industrial & Logística terminou o último trimestre com um volume de investimento de 139 milhões de euros e 123 mil metros ocupados. Resultado que contribuiu para o investimento anual total de 299 milhões, mais 18% face a 2024, marcando o maior volume de investimento no setor desde 2022 e para uma ocupação de 485 mil metros quadrados, uma redução de 40% face a 2024.
Uma quebra justificada pela forte diminuição da atividade no segmento industrial, que registou uma queda de aproximadamente 80% face ao ano anterior. Por outro lado, os ativos logísticos mostraram maior resiliência, com uma absorção de cerca de 114 mil metros quadrados no último trimestre e 435 mil metros no total de 2025, uma descida de 22% face a 2024.
A hotelaria atingiu os 155 milhões no quarto trimestre impulsionado pela venda de dois hotéis emblemáticos no Porto e de um ativo prime na Comporta. Este desempenho elevou o volume anual total para 540 milhões, um aumento de 15% face a 2024.
Os indicadores de desempenho mantiveram uma dinâmica positiva, com taxas de ocupação em crescimento, ainda que abaixo dos níveis pré-pandemia. O ADR e o RevPAR mantiveram valores elevados, atingindo 131 euros e 178 euros em Lisboa, 133 euros e 91 euros no Porto, e 193 euros e 116 euros no Algarve, respetivamente.
Pedro Lancastre, CEO da Dils Portugal, considera que os resultados de 2025 confirmam a resiliência e a maturidade do mercado. “Num contexto económico e geopolítico desafiante, o crescimento do investimento demonstra a confiança contínua dos investidores, nacionais e internacionais. Portugal continua a posicionar-se como um destino seguro e competitivo, com procura transversal aos vários segmentos”, afirma.
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