Prémios na TAP: “Remeto para as palavras do ministro” que considerou “inaceitável” reage Miguel Frasquilho

O presidente do conselho de administração da TAP sinalizou ao Jornal Económico concordar com as críticas do ministro das Infraestruturas sobre novo pagamento de prémios a uma minoria de trabalhadores da TAP apesar da companhia ter voltado a registar prejuízos que se estimam acima dos 100 milhões de euros. Para Pedro Nuno Santos é “inaceitável” e “uma falta de respeito” o pagamento de prémios a uma minoria de trabalhadores da TAP, sendo uma empresa que continua a dar prejuízos que se estimam, em 2019, acima dos 100 milhões de euros.

Cristina Bernardo

O Governo considera “inaceitável” que a TAP decida pagar prémios a uma parte dos trabalhadores da TAP depois da companhia ter registado prejuízos de “100 milhões de euros” em 2019. O presidente do conselho de administração da TAP alinha com a posição governamental. Miguel Frasquilho sinalizou ao Jornal Económico  concordar com as críticas do ministro das Infraestruturas que afirmou  nesta quarta-feira, 19 de fevereiro, no Parlamento que “é uma falta de respeito para com a esmagadora maioria dos trabalhadores da TAP e para com os portugueses” que a empresa continue a pagar prémios apesar dos prejuízos.

Confrontado com as críticas de Pedro Nuno Santos, o presidente do conselho de administração da TAP afirmou ao Jornal Económico não querer comentar o assunto, mas acabou por alinhar a sua posição à do Executivo ao avançar: “remeto para as palavras do ministro das Infraestruturas”. Miguel Frasquilho não quis, no entanto, esclarecer se já manifestou a sua discordância no conselho de administração quanto ao facto de a TAP se preparar para continuar a pagar prémios apesar de a companhia aérea nacional ter registado, em 2019, novamente prejuízos que se estimam acima dos 100 milhões de euros.

Pedro Nuno Santos reagiu esta quarta-feira no Parlamento às declarações recentes de David Neeleman, quando o principal acionista da TAP garantiu que pretende continuar a pagar prémios apesar dos prejuízos.

Em junho de 2019, foi revelado que a TAP tinha pago prémios de 1,171 milhões de euros a 180 dos seus trabalhadores, do total de mais de 10 mil trabalhadores com que conta.

“A atribuição de prémios é uma falta de respeito para com a esmagadora maioria dos trabalhadores da TAP”, defendeu Pedro Nuno Santos em resposta aos deputados do PS em audição parlamentar na comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, a decorrer esta quarta-feira. O governante recordou ainda aos deputados  que “no passado, não nos podemos esquecer de os prémios eram dados a mais de 10 mil trabalhadores”, o não aconteceu em 2019, ano em que  a TAP registou prejuízos de 118 milhões de euros e apenas 180 trabalhadores receberam prémios de perto de 1,2 milhões de euros, incluindo dois de 110 mil euros atribuídos a dois quadros superiores.

Segundo o governante, a decisão  de pagar prémios é tomada pelos acionistas privados da companhia, mas o governo pode manifestar-se publicamente e no conselho de administração da TAP através dos administradores que representam o Estado.

“Esta é uma decisão da gestão onde não estamos representados”, afirmou Pedro Nuno Santos, salientando, porém, que o Estado pode “transmitir no conselho de administração, na comissão e recursos humanos e em público” os seu entendimento”.

Para o ministro das Infraestruturas , “não é por ter havido prémios no passado que tem de haver prémios no futuro”. “Foi dito à TAP que não permitiremos a atribuição de prémios”, afirmou o ministro, de acordo com a Lusa.

 

Miguel Frasquilho não concordou com forma de atribuição de prémios na TAP

Quando foi conhecido o pagamento de prémios na TAP, no verão do ano passado,  o presidente do conselho de administração da TAP garantiu que manifestou discordância com a forma de atribuir prémios na empresa, depois desta distribuição já ter acontecido.

Frasquilho admitiu que não concordou com a forma como a comissão executiva da empresa atribuiu prémios a alguns trabalhadores, garantindo na altura que iriam ser criados mecanismos para evitar que a situação se repita.

”[Tive] oportunidade de me manifestar, obviamente, já depois de ter acontecido, de que de facto não concordava com o que tinha sucedido“, adiantou, em Junho do ano passado, o presidente do conselho de administração da companhia aérea em entrevista à Antena 1, referindo-se à decisão de atribuir prémios a cerca de duas centenas de trabalhadores depois de um ano de prejuízos.

Na altura, o presidente da TAP sinalizou estarem “garantidas as condições para que não volte a ocorrer”,  acrescentando que estava “na calha para criação uma comissão para Recursos Humanos  [entretanto criada] que abordará todos estes assuntos“. E que esta nova comissão seria “complementar a duas outras comissões que também foram criadas no ano passado que permitem aos administradores não executivos acompanhar mais de perto toda a vida da empresa”

Segundo Frasquilho, foi também fixado “o compromisso da comissão executiva de, em cada orçamento a partir de agora, destacar o montante de prémios previsto para ser atribuído no ano seguinte e a forma como esses prémios serão atribuídos“.

 

David Neelman sinalizou novo pagamento de prémios

O tema foi retomado no último fim de semana pelo principal acionista da TAP David Neelman, em entrevista ao jornal digital Observador quando defendeu que “todas as companhias pagam prémios de desempenho, é a fórmula consagrada em todo o mundo para gerir quadros de forma mais eficiente, e é assim que a queremos gerir para estimular as performances individuais.

Na referida entrevista, Neelman recordou que “a TAP sempre pagou prémios e nos últimos 41 anos só deu lucro uma vez. E pagava prémios quando era 100% pública e isso nunca foi um problema”.

O gestor brasileiro revelou ainda não estar preocupado com os prejuízos que a transportadora tem tido, porque acredita que terá bons resultados futuros. Segundo o jornal digital Eco, o resultado da gestão privada terá conduzido a novos prejuízos na companhia aérea portuguesa em 2019, num montante acima dos 100 milhões de euros

O ministro Pedro Nuno Santos mostrou-se, ontem, preocupado pela repetição neste cenário mas mantém o voto de confiança na liderança da empresa, a cargo de Antonoaldo Neves. “A TAP deu prejuízo no ano passado e pelos vistos vai repetir. Isto é uma matéria que nos preocupa”, disse o governante no Parlamento, realçando  querer “acreditar firmemente que a gestão que está a ser feita permitirá, no prazo de anos, fazer o ‘turnaround’ e dar dinheiro”.

 

 

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