Presidenciais: Paulo Pedroso na “estrutura organizativa” da candidatura de Ana Gomes

O ex-ministro do Trabalho Paulo Pedroso vai integrar a “estrutura organizativa” da candidatura de Ana Gomes a Presidente da República, confirmou hoje a própria numa declaração à agência Lusa.

Cristina Bernardo

“Tenho o maior orgulho em poder contar com a colaboração de Paulo Pedroso, um socialista de sempre, um sociólogo e docente universitário distinto, um militante da esquerda democrática, que exerceu, com competência e seriedade, os mais variados cargos ao serviço da República. E também um amigo em quem tenho total confiança”, afirmou ex-eurodeputada do PS.

Na declaração escrita, Ana Gomes não foge ao tema da acusação do ex-ministro de António Guterres no processo Casa Pia, para lembrar que não foi pronunciado nem julgado e até recebeu uma indemnização de um tribunal europeu.

“Bem sei que Paulo Pedroso foi acusado no chamado “processo da Casa Pia”, mas não foi pronunciado (nem julgado) por decisão proferida em 1.ª instância e confirmada pelos tribunais superiores. Por ter sido acusado e preso por razões manifestamente insubsistentes, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem condenou o Estado Português a indemnizá-lo pelos danos que sofreu”, recordou a antiga diplomata e ex-deputada ao Parlamento Europeu.

Na conclusão, Ana Gomes promete lutar sempre contra as injustiças.

“Nunca pactuei com a impunidade, mas estarei sempre ao lado dos injustiçados. Sei que posso contar com Paulo Pedroso nesse combate pela defesa do Estado de Direito”, conclui.

Paulo Pedroso foi ministro do Trabalho e da Solidariedade do XIV Governo Constitucional, liderado por António Guterres.

Foi acusado no processo Casa Pia por abuso sexual de menores, motivo pelo qual foi constituído arguido. Durante a fase de inquérito, foi detido em plena Assembleia da República e suspendeu o cargo de deputado.

Em 2006, na fase instrutória do processo, o Tribunal de Instrução Criminal considerou que não havia fundamento para ser levado a julgamento.

Ganhou depois um processo no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, que condenou o Estado português a indemnizar Paulo Pedroso no valor de 68.555 euros.

Antes das últimas legislativas, em janeiro de 2020, Paulo Pedroso anunciou ter deixado de ser militante do PS.

Relacionadas
Ana Gomes e RIcardo Araújo Pereira

Ana Gomes: “Afetos do professor Marcelo foram úteis para desanuviar do estilo múmia paralítica”

Candidata presidencial foi a primeira convidada de Ricardo Araújo Pereira no regresso do programa “Isto é Gozar com quem Trabalha”. Mais interessada em atacar “quem se aproveita dos clubes de futebol para lavar dinheiro” do que António Costa, Ana Gomes revelou que só deixa o espaço de comentário da SIC Notícias após formalizar a candidatura.

Presidenciais: Ana Gomes afirma que há demasiado encosto entre Presidente e Governo

Ana Gomes acusou também Marcelo Rebelo de Sousa de “estar completamente ausente do debate sobre as grandes prioridades estratégicas de Portugal”, embora esteja sempre “a comentar a espuma dos dias”, mas insurgiu-se principalmente sobre o sistema de relações entre os órgãos de soberania Presidência da República e Governo.
Recomendadas

UGT desiludida com chumbo que compromete medidas positivas para trabalhadores

O sindicalista considerou que a proposta de OE2022 “não era o OE desejável, era pouco ambicioso, mas continha alguns avanços importantes”, como o crescimento do salário mínimo até 2025 , o aumento das pensões, a melhoria da fiscalidade e algumas alterações à legislação laboral, nomeadamente a reposição do valor das horas extraordinárias e o aumento do valor das indemnizações por despedimento.

CGTP diz que chumbo do OE2022 deve-se a falta de vontade política do Governo

Para a CGTP a proposta do Governo não promovia o necessário crescimento dos salários e pensões, nem maior justiça fiscal, não acabava com a precariedade laboral, nem travava a destruição de postos de trabalho por grandes grupos empresariais, nem sequer promovia contratação coletiva.

Duodécimos limitam execução mensal até à entrada em vigor de novo orçamento

“Durante o período transitório em que se mantiver a prorrogação de vigência da lei do Orçamento do Estado respeitante ao ano anterior, a execução mensal dos programas em curso não pode exceder o duodécimo da despesa total da missão de base orgânica”, pode ler-se na lei de Enquadramento Orçamental atualmente em vigor.
Comentários