Presidenciais: PCP antevê Marcelo mais alinhado à direita e ao bloco central após reeleição

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acredita que Marcelo Rebelo de Sousa vai tentar “reabilitar” a direita e reconduzi-la ao poder, no seu segundo mandato, e sublinha que ao Presidente reeleito cabe-lhe cumprir a Constituição e não “animar a sua subversão”.

Mário Cruz/LUSA

O Partido Comunista Português (PCP) considera que o segundo mandato de Marcelo Rebelo de Sousa enquanto Presidente da República pode ser mais alinhado com a agenda da direita ou do bloco central. O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acredita que o Presidente reeleito vai tentar “reabilitar” a direita e reconduzi-la ao poder e sublinha que cabe-lhe cumprir a Constituição e não “animar a sua subversão”.

“O PCP alerta para a possibilidade real de, para lá do que se proclama, o agora reeleito Presidente da República exercer um segundo mandato com um alinhamento daqui para a frente ainda mais explícito com os objetivos e agenda da política de direita, que nunca deixou de estar presente em importantes decisões adotadas no desempenho das suas funções”, referiu Jerónimo de Sousa, depois de o comité central do PCP ter estado reunido esta terça-feira para discutir os resultados das eleições presidenciais.

Os comunistas consideram que, no segundo mandato enquanto Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa intensificará o seu “empenhamento no branqueamento do PSD e das suas responsabilidades” e tentará “reabilitá-lo politicamente e reconduzi-lo ao poder, acompanhado ou não dos seus sucedâneos reacionários”, Chega e Iniciativa Liberal, ou em “cooperação intensa com o PS”, recuperando do ‘bloco central’.

O secretário-geral comunista admitiu, em conferência de imprensa, que a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa à primeira volta era “expectável” e sublinhou que o Presidente reeleito beneficiou da “vantagem decorrente do exercício das funções presidenciais” e de uma “fabricação de um aparente unanimismo” e “elaborada promoção”, numa eleição que diz ter sido desvalorizada e em que a campanha foi pouco esclarecedora.

“Ao Presidente da República incube defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa e não animar a sua subversão, é essa a exigência que está colocada ao Presidente eleito”, sublinhou.

O comité central entendeu que a candidatura do eurodeputado João Ferreira, apoiada pelo PCP e pelo Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV), “colocou, como nenhuma outra, o valor do trabalho e dos trabalhadores, os serviços públicos, a liberdade e a democracia no centro da sua intervenção” e deu “conteúdo e significado ao que a Constituição da República representa” para o “progresso social”, e para a “garantia e efetivação de direitos, de afirmação de Portugal como nação desenvolvida e soberana”.

O PCP diz que a votação obtida por João Ferreira “traduz um progresso eleitoral quando comparado com o resultado do candidato apoiado pelo PCP em 2016”, ao aumentar de 3,95 para 4,32% a percentagem de votos e obter “um número idêntico de votos, num quadro em que votam quase menos meio milhão de eleitores e num contexto marcado por circunstâncias de saúde pública”.

Jerónimo de Sousa acrescentou que o resultado é “tão mais importante quanto a verificada prevalência de fatores dispersivos, quer sobre a importância das eleições, quer sobre o que de facto nelas se decidia e aos quais se juntou a despropositada centralidade dada a falsas disputas sobre ‘segundos’ lugares”, entre Ana Gomes e André Ventura.

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