Procura turística por Cabo Verde deverá recuar este ano a níveis de 2005

A previsão, que agrava a estimativa anterior, consta dos documentos de suporte à proposta de lei do Orçamento do Estado para 2021, no dia em que o arquipélago reabre os quatro aeroportos internacionais a voos comerciais do exterior, suspensos desde 18 de março para conter a transmissão da covid-19.

A procura turística por Cabo Verde deverá recuar este ano a níveis de 2005, uma quebra de 70% devido à pandemia de covid-19, perdendo mais de 550 mil turistas face à previsão inicial do Governo cabo-verdiano, após sete meses de encerramento de fronteiras.

A previsão, que agrava a estimativa anterior, consta dos documentos de suporte à proposta de lei do Orçamento do Estado para 2021, consultados pela Lusa, no dia em que o arquipélago reabre os quatro aeroportos internacionais a voos comerciais do exterior, suspensos desde 18 de março para conter a transmissão da covid-19.

Em julho, com a previsão de reabertura do arquipélago aos voos internacionais comerciais no mês seguinte – que não se concretizou, avançando apenas um corredor aéreo para voos essenciais a partir de Lisboa -, o Governo estimava que procura turística iria recuar este ano a níveis de 2009, com a perda de 536 mil turistas, sendo este um setor que garante 25% do Produto Interno Bruto (PIB) cabo-verdiano.

Tratava-se, conforme previsto no Orçamento do Estado Retificativo para este ano, então aprovado, de uma quebra de 58,8% na procura turística, face aos 819 mil turistas que o arquipélago recebeu em 2019.

O Governo estimava inicialmente, no arranque do ano, antes da pandemia, um crescimento da procura turística de 6,6%, aproximando-se da meta anual de um milhão de turistas, depois de um crescimento de 7% em 2019.

Contudo, na previsão do Governo em julho, Cabo Verde deveria receber este ano apenas 337.555 turistas. Deste total, 170.778 são turistas que já visitaram o país no primeiro trimestre de 2020, pelo que até final do ano Cabo Verde deverá receber pouco mais de 165.000 turistas.

Esta quebra, depois de agosto, setembro e parte de outubro sem voos internacionais, é agora agravada na previsão do Governo.

“Dado que a fronteira para o mercado turístico continua fechada, a queda no número de turistas poderá chegar a 70%, atingido os números de 2005”, lê-se na proposta orçamental que deu entrada este mês no parlamento, apontando para uma procura pouco acima de 300 mil turistas este ano.

“Entretanto, em 2021, com a recuperação da atividade económica, ainda que de forma lenta, a procura turística deverá aumentar entre 22,5% e 35%, melhorando a performance das dormidas e das receitas do turismo, com os números a situarem-se em níveis similares aos de 2011”, acrescenta-se no documento.

As receitas com o turismo renderam em 2019 um máximo histórico de 43.103 milhões de escudos (389 milhões de euros), mas segundo a previsão do Governo feita em julho deverão cair este ano para 15.086 milhões de escudos (136 milhões de euros), número que também é revisto, agora, em baixa.

O anúncio do reinício dos voos comerciais internacionais a partir de hoje, ao fim de quase sete meses, foi feito na sexta-feira pelo ministro do Turismo e Transportes, Carlos Santos, indicando que os passageiros estão obrigados a apresentar testes negativos para a covid-19 com pelo menos 72 horas de antecedência da viagem.

Também hoje é retomado o tráfego comercial marítimo de passageiros, bem como operações de escala técnica e de abastecimento de aeronaves nos aeroportos nacionais.

Cabo Verde regista um acumulado de 7.072 casos de covid-19 no arquiélago, com 75 mortos, desde 19 de março.

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