Projeto da nova administração da RTP prevê exploração de “sinergias” com a Lusa

Esta é uma das ações que Nicolau Santos, presidente cessante da Lusa, e Hugo Figueiredo, atual administrador da RTP, se propõem concretizar no período 2021-2023.

O projeto estratégico 2021-2023 apresentado pela nova dupla de administradores da RTP Nicolau Santos e Hugo Figueiredo prevê “explorar sinergias” com a agência Lusa “na área da gestão de espaços e na colaboração editorial”.

De acordo com o documento, a que a Lusa teve esta quarta-feira acesso, esta é uma das ações que Nicolau Santos, presidente cessante da Lusa, e Hugo Figueiredo, atual administrador da RTP, se propõem concretizar no período 2021-2023.

O projeto estratégico também prevê “desenvolver parcerias com outros órgãos de comunicação social para o combate às ‘fake news'”.

Mais qualidade e inovação nos conteúdos, estar mais perto das pessoas, investir em tecnologia digital multiplataforma e uma organização em sintonia com a atualidade são as grandes linhas do plano estratégico apresentado na candidatura ao Conselho de Administração da RTP.

Entre as várias medidas está o aumento do “escrutínio deontológico na atividade das áreas de informação na RTP, para reforço do rigor e da confiança”.

A informação “tem de ser vista como um traço distintivo da RTP”, referem, apontando que os seus pilares devem assentar em quatro vetores: credibilidade, liderança, sobriedade e diversidade.

“Fazer informação obedecendo estritamente aos critérios deontológicos do código dos jornalistas, confirmando-a com três fontes independentes e dando a todas as partes a possibilidade do contraditório, ao mesmo tempo que se recusa as denúncias de fontes anónimas (a não ser que a sua vida possa ser colocada em risco) é fundamental para criar um laço indestrutível de confiança com todos os públicos”, lê-se no documento.

Criar uma “agenda mediática e de discussão pública própria, diversa e plural, e que inclua os grandes temas que afetam e moldam a sociedade”, “reconhecer interna e externamente os profissionais da RTP pelo trabalho desenvolvido em todas as áreas, bem como pelos prémios que muitos dos seus profissionais recebem durante o ano”, são outras das ações previstas.

O plano prevê também a aposta em conteúdos para os jovens: “criar uma estrutura e desenvolver uma estratégia de produção nacional e de aquisição de conteúdos para os jovens, multiplataforma, com orçamento específico”.

O reforço da RTP1, “enquanto canal generalista, familiar”, be como do caráter cultural da RTP2, fortalecendo “a produção própria no CPN [Centro de Produção do Norte] e testando novos programas de atualidade cultural”, bem como tratar o desporto de forma mais transversal, multiplataforma, com enfoque nas seleções nacionais das várias modalidades, escalões e géneros, são outras das medidas.

Nas rádios, defendem o reforço da informação na Antena 1 e a manutenção como rádio de música portuguesa, da palavra e das grandes transmissões desportivas, com a Antena 2 a “manter o seu perfil atual, com reforço das gravações ao vivo e promoção do talento nacional”.

No que respeita a Antena 3, “acompanhar e promover a cultura pop e os novos talentos contemporâneos”.

O aumento da produção das delegações nacionais e internacionais, “abrindo novos locais criteriosamente e fazendo investimento em meios de produção ligeiros” e o reforço da lusofonia são outras medidas que visam estar mais perto das pessoas.

Este reforço inclui o alargamento da RTP África à TDT e o desenvolvimento de “mais parcerias e novos programas que acompanhem o desenvolvimento dos países africanos de língua portuguesa, desde o debate cultural à culinária, teatro, dança”, entre outros, e a revisão das grelhas da RTP Internacional, “ajustando às necessidades locais”.

Esta também previsto promover “uma maior aproximação da Antena 1 às rádios locais, quer na área de programas, quer na de informação”, explorando modelos de afiliação e partilha de conteúdos”, bem como desenvolver com os provedores projetos de divulgação da sua atividade “com mais impacto, incluindo conteúdos digitais” e aumentar “as interações com o Conselho de Opinião”.

A dupla de administradores prevê também desenvolver um “plano de reconfiguração tecnológica do CPN, com mais capacidade e mais flexibilidade” e lançar “um plano de renovação tecnológica das estações emissoras FM, garantindo a cobertura nacional”.

O projeto estratégico prevê manter uma “gestão equilibrada das receitas, custos e investimentos” e “preparar cenários para as novas obrigações resultantes da alteração do contrato de concessão”.

Em 26 de março, o Conselho Geral Independente (CGI) anunciou que Nicolau Santos e Hugo Figueiredo foram os novos escolhidos para integrar o novo Conselho de Administração da RTP, faltando agora o terceiro elemento – a administradora financeira -, que tem de ter o parecer vinculativo das Finanças.

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