PSI 20 acompanha bolsas europeias no vermelho. Investidores receiam aumento de casos de Covid-19

Os investidores mostram-se cautelosos, numa altura em que o medo que o aumento do número de casos de Covid-19 condicione a reabertura das economias.

O principal índice bolsista português (PSI 20) arrancou esta quinta-feira, 25 de junho, a perder cair 0,47%, para os 4.351,57 pontos, em linha com as principais praças europeias. Os investidores mostram-se cautelosos, numa altura em que o medo que o aumento do número de casos de Covid-19 condicione a reabertura das economias.

O sentimento já se sentiu nas bolsas asiáticas, onde  as bolsas encerraram no vermelho. A bolsa de Tóquio fechou em baixa, com o principal índice, o Nikkei, a perder 1,22%, para 22.259,79 pontos. Já o segundo indicador, o Topix, desceu 1,18%, atingindo os 1.561,85 pontos. Na China não houve negociação por causa de um feriado.

Também a colocar pressão nas negociações nas praças europeias está o deteriorar das relações comerciais entre Estados Unidos e União Europeia (UE). Na quarta-feira, Washington revelou que poderá aplicar novas taxas punitivas a certos produtos europeus, no quadro do processo de subvenções às construtoras aeronáuticas europeia Airbus e norte-americana Boeing.

De acordo com uma nota publicada pelo Departamento do Comércio dos EUA, as tarifas punitivas vão incidir sobre sobre bens no valor de 3,1 mil milhões de dólares (cerca de 2,7 mil milhões de euros). O presidente dos EUA está agora a analisar o tema.

Ainda a causar uma maior pressão estão as tensões comerciais entre a Europa e os Estados Unidos que ressurgiram esta quarta-feira, depois de a administração Trump ter colocado em consulta pública um documento com possíveis tarifas sobre 3,1 mil milhões de bens oriundos do Velho Continente.

Entretanto, a União Europeia já se manifestou “preocupada” com a ameaça dos EUA. Sobretudo, porque as novas taxas vão além do que está autorizado pela Organização Mundial do Comércio (OMC). A OMC autoriza taxas norte-americanas para os produtos importados da UE até 7.500 milhões de dólares (6.400 milhões de euros), como parte do espinhoso e interminável processo de subvenções à Airbus e à Boeing. Desde outubro de 2019, outros produtos, como o vinho e queijo, são pelos EUA taxados em cerca de 25%.

Em Portugal, o PSI 20 é penalizado pelas quebras dos títulos de pesos pesados do índice, nomeadamente BCP (-1,72%) e Galp Energia (-1,56%).

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