PSI-20 fecha em queda alinhada com bolsas da Europa que foram afetadas pela China

O índice lisboeta fechou com 11 títulos em queda, dos quais se destacam os da Jerónimo Martins que recuaram -2,47%, os da Sonae que perderam -1,35% e os do BCP que voltaram a cair. Na Europa, os ventos asiáticos derrubaram bolsas. Crise energética faz subir yields.

DR REUTERS/Aly Song TPX IMAGES OF THE DAY

A bolsa de Lisboa fechou esta segunda-feira em queda de  0,70% para 5.619,21 pontos em linha com a Europa que sofreu um tombo depois da China ter revelado que a economia abrandou fortemente no terceiro trimestre.

O índice lisboeta fechou com onze títulos em queda, dos quais se destacam os da Jerónimo Martins que recuaram 2,47% para 18,76 euros; os da Sonae que perderam -1,35% para 0,9510 euros; os do BCP que voltaram a cair (-1,29% para 0,1530 euros); os da EDP Renováveis que caíram 1,09% para 21,76 euros; e os da Galp que perderam 0,82% para 9,87 euros.

A REN desceu 0,56%para 2,650 euros em reação à decisão da ERSE sobre as tarifas para 2022. Em termos de notícias destaque para os comunicados da EDP e da REN na sequência de o regulador ter reportado o aumento de tarifas. A ERSE apresentou a sua proposta de tarifas de eletricidade para 2022 e parâmetros regulatórios para o período 2022-2025. Salienta-se o aumento de 0,2% nas tarifas reguladas de venda a clientes finais em Baixa Tensão Normal (BNT), face aos valores médios registados em 2021, incluindo consumidores residenciais e pequenos negócios.

Na sequência da apresentação das tarifas, os especialistas dizem que as energias renováveis permitem agora defender os consumidores de subidas do preço da eletricidade nos mercados.

A ERSE estima proveitos regulados de mil milhões de euros em 2022, excluindo ajustamentos de anos anteriores. O regulador calcula que a dívida regulatória do sistema elétrico português, de 3,5 mil milhões no final de 2020, se reduza para 1,7 mil milhões em 2022. Há ainda a destacar que o Conselho Tarifário deve emitir parecer, não vinculativo, sobre a referida proposta até 15 de novembro. Tendo em conta a posição do Conselho, a ERSE posteriormente irá proceder à aprovação dos valores finais cuja publicação deverá ocorrer até 15 de dezembro de 2021.

A perda das ações da Galp acontece ao mesmo tempo que o BPI subiu o preço-alvo das ações da Galp Energia em 9%, de 10,50 euros para 11,40 euros, devido à incorporação na avaliação (final de 2022) de preços mais elevados do petróleo e do gás.

Pela positiva destacaram-se as ações dos CTT que subiram 2,91% para 5,12 euros; e as da Pharol que avançaram 1,98% para 0,0926 euros. Com subidas menos expressivas, destaque para a Corticeira Amorim (+0,82% para 12,24 euros) e Semapa que avançou 0,97% para 12,46 euros.

Na Europa, os ventos asiáticos derrubaram bolsas, como notou Ramiro Loureiro, analista de mercados do Millennium investment banking. “Os principais índices de ações europeus fecharam  em território negativo, perante alguns ventos desfavoráveis da China. A economia do gigante asiático terá expandido sequencialmente 0,2% no terceiro trimestre, metade do previsto pelos analistas, e a produção industrial no país também teve um registo aquém do esperado em setembro”, segundo uma análise de hoje do BCP.

O EuroStoxx 50 perdeu 0,69% para 4.154,24 pontos e o Stoxx 600 recuou 0,49%.

O FTSE 100 fechou a perder 0,42% para 7.203,8 pontos; o CAC recuou 0,81% para 6.673,1 pontos; o DAX caiu 0,72% para 15.474,5 pontos; o FTSE MIB perdeu 0,83% para 26.268,6 pontos e o IBEX fechou a descer 0,68% para 8.936 pontos. Só a Polónia, a Noruega, a Dinamarca e a Suíça fecharam no verde.

O sector de bens de luxo foi castigado com notícias de que o presidente da China, Xi Jinping, pretende seguir com a aplicação de impostos sobre propriedade, ao abrigo do plano de “prosperidade comum”. As ações da LVMH tombaram 2,23%.

Hoje foi notícia que Itália prepara mega injeção de capital no banco Monte Paschi. As ações caíram 1,01%.

“Ações ligadas às criptomoedas merecem hoje atenção, perante rumores a negociação de fundos de EFT de Bitcoin poderá iniciar-se esta semana, com luz verde da SEC”, disse o analista do BCP.

A afectar os mercados esteve o ritmo de crescimento da economia chinesa que abrandou, no terceiro trimestre, com a crise na construção e as restrições oficiais sobre o uso de energia pelas fábricas a pesarem na recuperação do país, foi hoje anunciado. A segunda maior economia do mundo cresceu 4,9%, em relação ao mesmo período do ano anterior, nos três meses entre junho e setembro, quando no trimestre anterior tinha registado uma subida de 7,9%, de acordo com os dados do Governo chinês, avança a Lusa. A produção nas fábricas, as vendas no retalho e o investimento na construção e em outros ativos fixos enfraqueceram.

Segundo o daily da BA&N, unidade de research, a crise no sector imobiliário, alavancada pelo colapso da Evergrande; a crise no sector energético com “blackouts” em várias regiões e os problemas nas cadeias de fornecimentos explicam a travagem forte da segunda maior economia do mundo. A mesma análise diz que os economistas estimam um novo abrandamento no quarto trimestre, até porque estes problemas persistem e as autoridades já fizeram saber que não haverá estímulos económicos numa altura em que a China tenta alterar o seu modelo económico fortemente dependente da construção.

O petróleo Brent está a corrigir depois da forte escalada. Cai 0,39% para 84,53 dólares o barril.

O euro sobe 0,16% para 1,1619 dólares.

No mercado da dívida pública, a Alemanha tem os juros a 10 anos em alta de 1,94 pontos base para -0,15%. Portugal vê os juros soberanos no mesmo prazo agravarem 3,22 pontos base para uma yiled de 0,38%. Espanha também com os juros em alta de 3,03 pontos base para 0,49% e Itália tem os juros a subirem 5,75 pontos base para 0,96%.

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