PSI-20 tomba com queda de mais de 4% do BCP e Greenvolt. Imobiliária chinesa arrasa bolsas

As bolsas europeias encerram em baixa, condicionadas pelo risco de colapso da gigante de imobiliário Evergrande e o seu impacto potencial no sistema. A banca foi dos sectores mais afetados a par com o de recursos naturais. Por cá, a Greenvolt teve uma estreia negativa, pois caiu quase 5% na sessão.

DR REUTERS/Aly Song TPX IMAGES OF THE DAY

O PSI-20 fechou a sessão desta segunda-feira a cair 1,62% para 5.213,55 pontos numa Europa onde os principais índices recuaram mais de 2%. O EuroStoxx 50 caiu 2,01% para 4.047,97 pontos.

Na bolsa de Lisboa a estreia da Greenvolt não foi das melhores. As ações da empresa liderada por João Manso Neto caíram -4,97% para 5,93 euros. O segundo título que mais caiu foi o BCP que perdeu 4,64% para 0,1234 euros.

O sector financeiro foi castigado pelos ventos asiáticos. A China trouxe algum nervosismo para os investidores porque o grupo de Real Estate, Evergrande está em risco de colapsar, o que a suceder poderia ser o maior teste ao sistema financeiro do país nos últimos anos.

Na bolsa de Hong Kong o Evergrande Real Estate Group caiu 10,24%.

“As bolsas europeias encerram em baixa, condicionadas pelo risco de colapso da gigante de imobiliário Evergrande e o seu impacto potencial no sistema, depois da própria empresa ter reconhecido as dificuldades, perante cerca de 300 mil milhões de dólares de responsabilidades. De notar que existem múltiplos fundos de investimento com exposição a títulos do gigante imobiliário e por isso os receios espelham-se por outras regiões do globo. A Banca acabou assim por ser o sector que mais recuou na Europa, reflexo também da descida das yields de divida soberana”, refere a análise do Millennium investment banking.

O contágio negativo na bolsa de Lisboa afetou quase todos os 19 títulos do PSI-20, à exceção da NOS (+0,48% para 3,38 euros) e da REN (+0,20% para 2,505 euros) e da Ibersol que se manteve inalterada.

Num segundo grupo de quedas no PSI-20 salienta-se a Mota-Engil (-3,66% para 1,315 euros); o grupo Amorim (-3,04% para 11,48 euros); os CTT (-2,77% para 4,57 euros); a Altri que perdeu 2,40% para 5,29 euros; a EDP Renováveis que tombou -1,93% para 21,38 euros; a EDP que caiu 1,80% para 4,49 euros; a Navigator que desceu 1,99% para 2,96 euros; e a Semapa que fechou a cair 1,82% para 11,84 euros. Para já não falar da Pharol que continua em queda. Hoje foram 2,20% cotando agora em 0,0890 euros.

Na Europa foi dia de perdas na bolsa. O Stoxx caiu 1,65%.

O FTSE 100 em Londres caiu 0,86% para 6.903,91 pontos; o CAC 40 recuou 1,74% para 6.455,8 pontos;  o DAX tombou 2,31% para 15.132 pontos; o FTSE MIB de Milão deslizou -2,57% para 25.048,3 pontos e o IBEX fechou a cair 1,2% para 8.655,4 pontos.

O Deutsche Bank foi dos mais castigados na banca europeia, tendo fecho a tombar 7,65%.

Segundo Ramiro Loureiro, analista do BCP, “o sector de recursos naturais também foi um dos mais castigados, com as empresas do setor mineiro a serem limitadas pela queda dos preços de matérias-primas como o minério de ferro, que só em setembro já tombou mais de 20%”.

“De notar que os índices de ações transacionaram hoje com a composição revista, em que se destacam a entrada da Greenvolt para o PSI-20 e o alargamento do número de cotadas no índice alemão, que passou de DAX30 para DAX40 (Hellofresh, Airbus e Zalando estiveram entre as principais entradas)”, destaca o analista do Millennium BCP.

No plano macroeconómico foi revelado que os preços no produtor alemão aumentaram mais que o esperado em agosto, numa variação histórica (12%). Pela positiva chegou a indicação de que em solo norte-americano o otimismo em torno do setor imobiliário aumentou pela primeira vez em 5 meses, acrescenta a mesma análise.

O euro sobe 0,03% para 1,1729 dólares.

No petróleo o Brent em Londres cai 1,66% para 74,09 dólares. Nos Estados Unidos o crude recua 1,96% para 70,56 dólares.

No mercado de dívida soberana, as bunds alemãs caem 3,94 pontos base para -0,32%. A dívida portuguesa a 10 anos também recua, mas 1,61 pontos base para 0,24%. Espanha e Itália também têm os juros da dívida pública em queda, de 2,07 e 0,90 pontos base, respetivamente, para 0,33% e 0,71%.

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