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PSI subiu 5,9% em outubro no maior crescimento mensal de 2025

O ranking mensal das sociedades com aumento de valor no mês de outubro é liderado pela Teixeira Duarte, Mota-Engil e EDP Renováveis. A Maxyield nota que no final de outubro existiam seis sociedades com situações de ‘short selling’ (vendas a descoberto), cuja quantidade não é vulgar no mesmo momento temporal.
3 Novembro 2025, 14h34

O PSI terminou o mês de outubro com o valor de 8.427 pontos, o qual representa um aumento mensal de 5,9% e ocorre num contexto de crescimento generalizado dos mercados internacionais. A análise é da Maxyield e revela que a trajetória crescente do índice da bolsa lisboeta tem lugar pelo 10.º mês consecutivo no decurso de 2025 (tinha baixado nos últimos três meses de 2024). Este ritmo de crescimento do PSI representa o maior aumento mensal ocorrido este ano, ultrapassando o máximo mensal observado no mês de maio (5,7%).

A banda de variação mensal do PSI oscila entre 30,8% da Teixeira Duarte e a queda de 8,2% da Navigator. Nesse mês verifica-se que 12 sociedades cotadas do PSI apresentaram um aumento de valor e quatro sofreram uma performance decrescente.

O ranking mensal das sociedades com aumento de valor no mês de outubro é constituído pela Teixeira Duarte (30,8%), a Mota-Engil (17,6%), a EDP Renováveis (13,2%), a Galp (8%), a Jerónimo Martins (7,9%), a EDP (6,8%), a REN (6,7%), a Sonae SGPS (5,7%), os CTT (4,1%), o BCP (1,6%), Corticeira Amorim (1,1%) e a Ibersol (1%).

As sociedades com queda de cotação no mês passado foram a Navigator (-8,2%), a NOS (-3,3%), a Altri (-1,8%) e a Semapa (-0,9%).

A evolução do PSI ao longo de outubro encontra-se caracterizado por uma trajetória tendencialmente crescente e sem grandes oscilações, num contexto de fraca volatilidade, segundo a Maxyield.

A associação de pequenos acionistas diz ainda que este comportamento do PSI “caracteriza-se por um rally bolsista”.

“Paralelamente o PSI prosseguiu o seu bull market, num ciclo bolsista cuja fase ascendente apresenta uma duração de cinco anos”, acrescenta.

O PSI no mês de outubro ultrapassou o limite superior da faixa de variação [7.790 pontos  –  8.200 pontos], tendo entrado na faixa [8.200 pontos –  8.900 pontos] que tem uma curta amplitude e nos reporta para níveis de há 15 anos.

“O limite superior é o novo valor de resistência e corresponde ao pico que precedeu o bear market de 2010 provocado pela crise das dívidas soberanas a nível europeu”, explica a Maxyield.

“O limite inferior passa a constituir o novo valor de suporte e corresponde ao pico que precedeu o crash bolsista de 2011 associado à crise das dívidas soberanas europeias (PIIGS) e primeira queda da notação de risco nos EUA (S&P Global Ratings)”, acrescenta.

“O PSI terminou o mês de outubro a 5,6% do limite superior da faixa de variação em que se encontra, sendo que a faixa seguinte apresenta uma grande amplitude”, refere ainda a associação.

Vendas a descoberto em outubro

A Maxyield nota que no final de outubro existiam seis sociedades com situações de short selling (vendas a descoberto), cuja quantidade não é vulgar no mesmo momento temporal.

O short selling é uma forma de ganhar dinheiro nos mercados financeiros apostando na queda do preço de um ativo e consiste em vender um ativo financeiro, como por exemplo ações, que não possui. Ou seja, na prática, é uma forma de ganhar dinheiro com a queda de um determinado ativo. Normalmente, este tipo de operação é efetuada por traders profissionais.

“Andaram a shortar” as ações da Mota-Engil (1,66%), da NOS (1,66%), do BCP (1,61%), da Galp (1,4%), da Navigator (0,52 %) e da Altri (0,5%).

As vendas a descoberto da Navigator, da Altri e do BCP ocorreram exclusivamente em outubro e nas restantes sociedades assistiu-se neste mês a um reforço das posições já existentes, explica a Maxyield.

O short selling funciona da seguinte forma: A corretora onde o investidor tem conta aberta empresta um determinado ativo financeiro ao investidor; o investidor vende esse ativo a um determinado preço; o resultado da posição short (posição curta) vai variando em função do preço do ativo. Se o preço cair, o investidor ganha dinheiro. Pelo contrário, se o preço aumentar, o investidor perde dinheiro.

De notar ainda que, por cada dia que o investidor mantenha a posição short, a corretora cobra um juro diário devido ao facto de ter emprestado um ativo ao investidor; para fechar a posição, o investidor deve comprar em mercado esse ativo, sendo que o resultado da operação está dependente da variação do preço.

Desde o início do ano o PSI subiu 32,1%

Na comparação do índice e cotações no final da sessão de 31 de outubro  com os valores verificados em 31 de dezembro de 2024, observa-se um aumento de 32,1%. “Assiste-se a uma trajetória tendencialmente crescente, com forte interrupção no início do mês de abril, por ocasião do anúncio das tarifas recíprocas pela Administração dos EUA e um pico anual no final de outubro em torno de 8.450 pontos que nos reporta para o início de 2010”, explica a Maxyield.

Então, a subida desde o início do ano deve-se oscilando à subida de 781% da Teixeira Duarte e ocorreu apesar da queda de 16,3% da Navigator, sendo que 13 títulos apresentaram uma variação positiva e três cotadas sofreram quebras de valor.

Nos primeiros 10 meses do ano as maiores subidas couberam à Teixeira Duarte (781%), à Mota-Engil (105,9%), ao BCP (64,7%), à Sonae (54,7%), à REN (43,2%), aos CTT (39,8%), à EDP (39,4%), à Ibersol (35%), à Semapa (27,6%), à EDP Renováveis (26,3%), à Jerónimo Martins (21,1%), à NOS (12,9%) e à Galp (9,1%).

As três sociedades com quebra da cotação foram a Navigator (-16,3%), a Corticeira Amorim (-9,6%), a Navigator (-8,9%) e a Altri (-7,7%).

“A avaliação das cotações do universo PSI, através do seu PER (relação entre a cotação e o lucro por ação), apresenta-se tendencialmente elevada, face a importantes índices internacionais de referência”, conclui a Maxyield.

O elevado ritmo de crescimento do PSI até outubro e a quebra dos resultados deste universo empresarial no 1.º semestre do ano “estão a provocar um aumento do PER, susceptível de gerar uma situação de sobreaquecimento e efeito de bolha”, alerta a entidade que acrescenta que “globalmente, no mercado português, os preços atuais apresentam-se tendencialmente caros e a nível elevado, razão pela qual despertou o interesse do short selling“.

“Esta questão merece particular atenção relativamente à evolução dos preços na bolsa nacional nos próximos 12 meses e ao comportamento da envolvente contextual, pois após um ciclo de subida das cotações ocorre o seu oposto, sendo que elas sobem pela escada e descem pelo elevador.”, sublinha a Maxyield.

“A atual fase de crescimento bolsista do PSI tem a duração de cinco anos, escapou ao bear market global de 2022 e ao bear market dos EUA de abril deste ano, sendo que a última década nos habituou a ciclos bolsistas com a duração de dois anos, alguns dos quais exclusivos do mercado português”, revela a associação.

“A festa continua, mas o seu fim poderá estar próximo, em linha com o esgotamento do atual ciclo de descida das taxas de juro, exigindo rigor e cautela na gestão das carteiras”, conclui a entidade liderada por Carlos Rodrigues.

Segundo mercado perde Teixeira Duarte

No que toca à evolução do PSI Geral a saída da Teixeira Duarte para o PSI marcou a performance.

“Com a mudança da Teixeira Duarte em setembro, o PSI Geral passou a englobar o PSI e 16 sociedades cotadas no 2.º mercado, que representam sensivelmente 3% da capitalização bolsista do PSI”, diz a Maxyield.

O PSI Geral no mês de outubro teve um aumento mensal de 6,5% e um crescimento anual de 34,6%.

Genericamente, o segundo mercado é constituído pelas small caps, uma classe de empresas de capital aberto negociadas em bolsa, que possuem um baixo nível de free float.

A Sonaecom, com uma capitalização bolsista superior a algumas sociedades do PSI, apresenta uma forte valorização anual em torno de 31%.

A Novabase, que já integrou o PSI e com capitalização bolsista de destaque no PSI Geral, regista um importante aumento mensal de 9,6% e apresenta um robusto aumento anual (45,8%).

Com uma capitalização bolsista superior a 100 milhões, a Martifer, apresenta uma cotação de fecho mensal de 2,5 euros e um aumento anual anual de 43,3%, tendo sido objeto de OPA em 5 de agosto pela Visabeira Indústria SGPS pelo valor de 2,057 euros por ação,  que é inferior aos valores transacionados desde o mês de maio.

A Toyota Caetano e a Ramada, também com uma capitalização bolsista superior a 100 milhões, apresentam um desempenho mensal negativo respetivamente de -1,6% e -6%, prejudicando as suas performances anuais.

A nível da comunicação social, a Media Capital e a Impresa apresentam significativos aumentos mensais e desempenhos anuais positivos, sendo de destacar o forte crescimento em setembro da Impresa resultante das perspetivas de alteração qualitativa da estrutura acionista através da alienação de parte da participação da família Balsemão, revela a análise da Maxyiled.

Todas as SAD apresentam uma evolução anual positiva, destacando-se a robusta performance mensal e anual da Porto SAD e o desempenho anual da Benfica SAD.

“Destacamos ainda a robusta evolução anual da Glint e os desempenhos mensal e anual positivos da Pharol”, acrescenta a Maxyield.

Já a Vista Alegre e a Flexdeal encontram-se ao nível da linha de água, face ao início do ano.

“Uma referência final, para o desempenho anual negativo da Estoril Sol e o colapso anual da Grão-Pará”, conclui a Maxyield.

Lá fora, o MSCI World atingiu em Outubro um novo  máximo histórico, mantendo a trajetória crescente dos últimos 5 meses, num contexto de subida generalizada das bolsas mundiais. A Maxyield destaca que “os mercados norte americano e asiático são os maiores responsáveis pelo crescimento do mercado global, com  a Ibéria a destacar-se no espaço europeu”.

O índice S&P 500 composto pelas maiores 500 sociedades cotadas na NYSE, apresenta em outubro um crescimento mensal de 2,3% e sofreu uma evolução desde o início do ano positiva de 16,3%.

O índice tecnológico Nasdaq apresenta um crescimento mensal de 4,7% e um aumento de 22,9% este ano até ao fim de outubro.

Por fim, e apesar da razoabilidade do desempenho mensal do Stoxx 600, o índice de referência europeu não apresenta força para acompanhar a evolução anual dos índices norte-americanos  S&P 500 e o Nasdaq Composite.


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