Espanha: PSOE e ERC voltam a encontrar-se hoje

As agendas continuam a não coincidir, nomeadamente no que tem a ver com a pressa dos socialistas. Mas a simples existência do encontro é uma boa notícia para os dois partidos.

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Tem hoje lugar a segunda reunião – pelo menos no que tem a ver com o calendário oficial – entre os PSOE de Pedro Sánchez e a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) de Oriol Junqueras, preso em Madrid, mas os analistas políticos estão convictos de que dela pouco de concreto sairá senão a data do próximo encontro. É que o timing dos dois partidos não é o mesmo: Sánchez quer uma investidura (com garantias de aprovação) ainda antes do Natal, mas a esquerda catalã já fez saber que não tem pressa – e está disposta a que os socialistas evoluam até que as agendas das duas formações sejam suficientemente compatíveis para haver um  acordo.

Pedro Sánchez não fala sobre o assunto há mais de quinze dias – tempo durante o qual sucedeu o primeiro encontro entre os dois partidos – mas a organização do COP 25 em Espanha obrigou o primeiro-ministro a voltar a enfrentar os microfones e as perguntas da comunicação social.

Mais uma vez, Sánchez não se alongou sobre a substância do possível futuro acordo, tendo preferido concentrar-se precisamente na questão do timing: o Natal continua a ser a meta a atingir em termos de prazo para a criação de um novo governo, ao mesmo tempo que voltou a afirmar que o pior cenário seria a realização das terceiras eleições.

Este mote foi perfeito para desviar as atenções da reunião com a ERC, com o primeiro-ministro a recordar que a criação de condições de governabilidade também implica os partidos de direita. Foi mais uma tentativa de lançar o desafio a que o PP ou o Ciudadanos se decidam pela abstenção, o que seria um forte (e suficiente) impulso para que o PSOE conseguisse formar governo.

Remotamente – dado que não fala perante a comunicação social – o PSOE tem lançado a ideia de que se neste momento está nas mãos da vontade dos independentistas da Catalunha isso fica a dever-se à recusa do bloco de direita de admitirem a abstenção e deixarem o país ter um governo que foi maioritariamente votado pelos espanhóis.

Mas tanto o PP como o Ciudadanos parecem irremediavelmente perdidos para esta causa socialista. Mais: tanto uma como a outra formação têm dado mostras de crescente entendimento com a extrema-direita do Vox – tal como admitiam há muito vários comentadores, tanto espanhóis como de outros países onde o fenómeno está em pleno curso.

Para amanhã, e como não houve grandes evoluções desde a reunião da passada semana, é de supor que a agenda é a mesma: a criação de condições para que a questão da Catalunha tenha uma solução política e não judicial.

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