A Qualcomm, gigante norte-americana dos processadores móveis, quer expandir a sua atividade na Europa e, embora esteja numa fase exploratória, a empresa está a preparar terreno para investir em Portugal. O Jornal Económico apurou que o CEO, Cristiano Amon, reuniu-se ontem à tarde com Gonçalo Saraiva Matias, Ministro Adjunto e da Reforma do Estado, para conhecer a realidade empresarial e tecnológica portuguesa, bem como discutir futuros investimentos.
A Qualcomm é uma empresa norte-americana especializada em circuitos integrados e tecnologias sem fios. Os circuitos integrados são vendidos a empresas que fabricam telemóveis, computadores portáteis, módulos de dados, entre outros bens de consumo eletrónicos. “Portugal e a Europa são extremamente importantes para a estratégia da Qualcomm. Nós temos visto um empenho bastante grande em empresas europeias, que querem fazer uma transformação digital, utilizando a Inteligência Artificial”, diz Cristiano Amon ao Jornal Económico.
No entanto, para o desenvolvimento da atividade, a gigante norte-americana precisa de uma rede de suporte viável para o fabrico de semicondutores. “Vemos sempre com bons olhos as iniciativas, tanto nos Estados Unidos como na Europa, de atrair fábricas de semicondutores porque todos os setores vão ser transformados por IA. Ter as fábricas concentradas num lugar só não é uma coisa boa”, acrescenta o CEO da gigante norte-americana ao JE. A próxima geração de redes móveis ainda está a ser definida mas a Qualcomm já está preparada para ter os primeiros equipamentos pré-comerciais prontos em 2028.
Ao Jornal Económico, Amon destacou também a importância da cooperação entre o setor privado e os governos nacionais. “Nós dizemos sempre aos vários governos da Europa que, aparecendo a fábrica, podem contar connosco como clientes”, conclui o CEO da gigante norte-americana. Nesse sentido, a empresa está interessada em investir na Europa em fábricas de semicondutores, caso os seus fornecedores, como a TSMC e a Samsung, venham a construir novas instalações no continente.
No discurso de abertura da Web Summit, o ministro Gonçalo Matias revelou que o Governo está a apoiar a candidatura portuguesa à gigafábrica de IA junto da Comissão Europeia, unindo tecnológicas nacionais e internacionais a moldar o futuro da IA na Europa. “Portugal está a posicionar-se como um hub europeu líder para as gigafábricas de IA, com um investimento estimado superior a 16 mil milhões de euros”, sublinhou. O ministro destacou ainda que a estratégia nacional para os centros de dados irá trazer dezenas de mil milhões de euros de investimento e que o nosso país tem as “condições certas para se tornar um líder mundial em inteligência artificial”.
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