Rainha de Inglaterra resgatada pelo governo britânico para compensar desvalorização de património

O governo de Boris Johnson vai mesmo avançar com o resgate financeiro ao património imobiliário da rainha de Inglaterra, depois deste ter desvalorizado 590 milhões de euros, fruto da pandemia de Covid-19.

Hannah McKay/REUTERS

A desvalorização do património imobiliário da rainha de Inglaterra (Crown State) fez com que o governo de Boris Johnson decidisse avançar com um resgate financeiro, onde o objetivo será aumentar a receita de sua majestade. O Crown State da rainha de Inglaterra desvalorizou 500 milhões de libras (590 milhões de euros), segundo o “The Independent”.

A família real recebe as receitas do aluguer de lojas na Regent Street de Londres, ao lado de centros comerciais e parques de retalho em todo o país. Para garantir que a concessão soberana da rainha continua ao mesmo nível dos últimos anos, o Tesouro do Reino Unido vai injetar, extraordinariamente, dinheiro no subsídio que a monarca recebe anualmente.

“No caso de uma redução nos lucros do Crown Estate, o subsídio soberano é estabelecido no mesmo nível do ano anterior”, disse um porta-voz do Tesouro britânico ao “The Independent”.

“A receita do Crown Estate ajuda a pagar os nossos serviços públicos vitais – nos últimos 10 anos, o Tesouro recebeu 2,8 mil milhões de libras (três mil milhões de euros). O subsídio soberano financia os negócios oficiais da monarquia e não fornece uma renda privada a qualquer membro da família real”.

Ainda que a legislação impeça que o valor total dado à rainha seja diminuído, espera-se que mais detalhes sobre a próxima concessão soberana sejam divulgados na sexta-feira, dia 25 de setembro.

A noticia tem provocado reação negativas entre os grupos contra a monarquia inglesa, como por exemplo, o grupo ‘anti-monarchy campaign Republic’ que, através do seu porta-voz, Graham Smith, diz que a operação se trata de um “torniquete dourado” acrescentando que “Uma vez que a concessão aumenta, nunca pode diminuir, e o contribuinte perde

Robert Palmer, chefe da Justiça Fiscal do Reino Unido, juntou-se ao couro de crítica dizendo que  o “resgate real será difícil de engolir para as pessoas que amam a Rainha, mas perderam os seus empregos e negócios durante a pandemia”.

Quaisquer lucros obtidos pelo Crown Estate são fornecidos ​​ao Tesouro que, por sua vez, entrega 25% dos lucros de volta à Rainha através da concessão soberana. No entanto, o Crown Estate anunciou na semana passada uma queda no valor do seu portfólio de alugueis de 55 mil milhões de libras (60,2 mil milhões de euros) para os 13,4 mil milhões de libras (14,6 mil milhões de euros), uma queda de 1,2%.

Dan Labbad, presidente-executivo do Crown Estate, disse que “a atual turbulência económica e de mercado levou-nos a tomar precauções, com a concordância do Tesouro, de implementar um processo em etapas para o pagamento de todo o nosso lucro líquido”.

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