Reino Unido: Jeremy Corbyn ‘promete’ 100 mil milhões de euros em novos impostos

O programa dos trabalhistas para a próxima legislatura quer novos impostos para as empresas e para os mais ricos, numa fatura de 100 mil milhões por ano. Difícil de executar, mas “possível”, diz.

Jeremy Corbyn apresentou esta quinta-feira o programa político mais radical das últimas décadas no Reino Unido para as eleições gerais de 12 de dezembro, com o qual pretende “transformar” o país. A nacionalização da ferrovia, dos correios, das água, da energia e das redes de telecomunicações e a imposição de 82,9 mil milhões de libras (cerca de 100 mil milhões de euros) por ano em novos impostos, são as duas medidas mais drásticas.

Como seria de esperar, os agentes empresariais e económicos – para além das classes mais ricas do país – entraram em imediato em stress, temendo um enorme aumento da carga fiscal se o Partido Trabalhista chegar ao poder.

Embora as sondagens dêem a Boris Johnson, atual primeiro-ministro, uma clara vantagem sobre os trabalhistas, o partido de Corbyn pode conseguir uma surpresa de última hora e evitar a maioria absoluta que os conservadores tentam voltar a ter.

O manifesto, apresentado em Birmingham, contempla ainda fortes investimentos no sistema de saúde pública, na educação e na assistência a idosos, entre outras medidas sociais. Entre as empresas afetadas pela possível nacionalização estão a British Telecom (que seria nacionalizada para dar acesso gratuito à banda larga a todos os britânicos, tal como Corbyn prometeu anteriormente), e a Scottish Power (subsidiária da Iberdrola), que possui várias linhas de transporte e distribuição de gás e eletricidade.

Corbyn prometeu criar um fundo de 250 mil milhões de libras para a transição para a economia verde, concentrando investimentos nas energia renovável. Também forçará as empresas a transferirem 10% do seu capital para os trabalhadores.

“Nas próximas três semanas, ouvirão que esse programa é impossível. Por quê? Porque o sistema funciona perfeitamente para os poderosos, embora não funcione para o resto do povo. É um programa cheio de medidas populares contra o ‘establishment’ político, que bloqueou para toda uma geração”, disse Corbyn, citado por vários jornais.

Entre as medidas propostas destacam-se a alocação de 75 mil milhões de libras para a construção de 150 mil habitações sociais em cinco anos; o pagamento da hora de trabalho a 10 libras; a introduzir de uma nova taxa para a segunda residência; a aplicação de novos impostos às propinas de escolas particulares; a aplicação de uma taxa de 11 mil milhões de libras às empresas de petróleo; o restabelecimento de três mil rotas nos transportes públicos; e a diminuição da idade de voto para os 16 anos, entre outras medidas.

Ler mais
Relacionadas

Partido Trabalhista promete acesso à internet por banda larga gratuito no Reino Unido caso vença eleições

O plano consiste na nacionalização do serviço de banda larga – incluindo a promessa de fibra integral – no Reino Unido, cujo custo seria de 20 mil milhões de libras (pouco mais de 23 mil milhões de euros. Mas o presidente executivo da BT, empresa que gere o serviço, Philipe Jansen, diz que tal custaria cerca de 100 mil milhões de libras (mais de 115 mil milhões de euros).

Os números que contam nas legislativas do Reino Unido a 12 de dezembro

Esta quinta-feira encerra o prazo de inscrição dos candidatos e pelo menos 79 deputados não se vão recandidatar.
Recomendadas

Angola tem o maior nível de crédito malparado dos bancos africanos, realça Moody’s

“Um elevado nível de ativos de risco vai persistir, com os empréstimos problemáticos a chegarem aos 23,8% no final de 2018”, escrevem os analistas da Moody’s num relatório sobre a perspetiva de evolução dos bancos africanos, no qual revê o ‘outlook’ para Negativo.

Trânsito muito condicionado em Paris devido a mais um dia de greve

Os acessos a Paris estão hoje de manhã muito complicados devido ao quinto dia de greve contra a reforma das pensões e que afeta sobretudo a rede de transportes na capital francesa.

Governo chinês bane compras públicas de computadores e ‘software’ estrangeiros

O Governo chinês ordenou que todos os escritórios governamentais e instituições públicas removam computadores e ‘software’ estrangeiros, ao longo dos próximos três anos, depois da decisão de Washington de banir aquisição de equipamentos da Huawei.
Comentários