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Reinventar a formação e reter talento é essencial para fazer crescer a economia

“Talent – Point of View” identifica uma tendência global com impacto direto em Portugal: “as empresas enfrentam escassez de talento, elevada rotatividade e uma necessidade urgente de novas competências para acompanhar a transformação digital”. Estudo da PROFORUM com o apoio da Accenture, foi apresentado esta quarta-feira no Congresso do 30.º aniversário desta associação.
5 Novembro 2025, 16h42

O crescimento sustentável da economia portuguesa depende da capacidade de combinar tecnologia, dados e talento humano para reinventar o trabalho e criar valor duradouro. Esta é uma das principais conclusões do estudo “Talent – Point of View”, apresentado esta quarta-feira, 5,  no Congresso do 30.º Aniversário da   PROFORUM – Associação para o Desenvolvimento da Engenharia, subordinado ao tema “A Engenharia e o Futuro”.

O estudo, desenvolvido pela PROFORUM com o apoio da consultora Accenture, identifica uma tendência global com impacto direto em Portugal: “as empresas enfrentam escassez de talento, elevada rotatividade e uma necessidade urgente de novas competências para acompanhar a transformação digital”.

Segundo o estudo, 40% das competências nucleares vão mudar nos próximos cinco anos, obrigando à requalificação (upskilling e reskilling) de metade dos colaboradores. Paralelamente, 43% dos trabalhadores admite mudar de empregador, o que agrava a rotatividade e compromete a retenção de talento.

A maioria das empresas investe atualmente três vezes mais em tecnologia de Inteligência Artificial (IA) do que em pessoas. No entanto, o maior obstáculo à escala e ao crescimento não é tecnológico, mas humano. “As organizações que reinventam a forma como as pessoas trabalham com a IA são 90% mais eficazes na criação de impacto empresarial”, adianta.

Um dos exemplos dado pelo estudo revela que a utilização de modelos de linguagem como o GPT-4 “poderão transformar até 40% das horas de trabalho, automatizando tarefas e exigindo novas competências”. Paralelamente, “a interação entre humanos e tecnologia vai criar 97 milhões de novos empregos, sobretudo em áreas digitais e tecnológicas”. Ou seja, conclui “Talent – Point of View”, “o futuro pertence a quem aposta na aprendizagem contínua”.

A formação em engenharia é, neste contexto, um ponto crítico. De acordo com o estudo, dois terços dos jovens da geração Z sentem-se mal preparados pelas universidades para o mundo do trabalho, revelando um desalinhamento entre a oferta formativa e as necessidades do mercado. As funções tradicionais da engenharia, muito centradas na análise e na monitorização de ativos, estão a ser substituídas por novas áreas de valor estratégico, como a manutenção preditiva, o planeamento e o domínio de ferramentas de IA, conclui, indo.

O Congresso que assinala o 30.º aniversário da PROFORUM, subordinado ao tema “A Engenharia e o Futuro”, levou ao CCB dois ministros -Reforma do Estado, Gonçalo Saraiva Matias, e das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz e proporcionou quatro painéis de debate.

Manuela Vaz (CEO Accenture), Rogério Colaço (presidente do Instituto Superior Técnico), Fernando Almeida Santos (bastonário da Ordem dos Engenheiros), Miguel Cruz (presidente das Infraestruturas de Portugal) e Laura Caldeira (presidente do LNEC) juntaram-se para debater a Gestão de Talento na Engenharia, moderados por José Peixoto Nascimento (presidente do ISEL).

O tema da Inteligência Artificial nas Empresas juntou à volta da mesa: Rogério Henriques (CEO Fidelidade), Afonso Eça (Admin. Exec. BPI), Ricardo Madeira (Adm. Ex.& CTO SIBS) e Sofia Tenreiro (CEO Siemens Portugal) e teve moderação de António Murta (CEO Pathena).

Já Planeamento, Financiamento e Contratação Pública, moderado por Fernando Santo, antigo Bastonário da Ordem dos Engenheiro, permitiu ouvir as perspetivas de Carlos Mota Santos (CEO Mota-Engil), João Pedro Oliveira e Costa (CEO BPI), Pedro Rebelo de Sousa (senior partner e fundador da SRS Legal) e Ricardo Pedrosa Gomes (AECOPS).

O quarto e último painel, dedicado ao tema da Inovação, Sustentabilidade e Competitividade contou com intervenções de Manuel Ramalho Eanes (administrador Executivo NOS) e Fátima Carioca (diretora Geral da AESE Business School) e foi moderado por António Bernado, da Vibe Capital Partner.

Em entrevista ao Jornal Económico, António Martins da Costa, presidente da PROFORUM, Associação para o Desenvolvimento de Engenharia, diz ao JE, que escassez de engenheiros ameaça futuro das grandes obras.


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