Familiares no Governo: Secretário de Estado do Ambiente pediu demissão por nomeação de primo

Carlos Martins tinha nomeado um primo seu para adjunto no seu gabinete. O ministro do Ambiente disse desconhecer esta relação familiar. A demissão já foi aceite pelo ministro do Ambiente e pelo Primeiro-Ministro.

Cristina Bernardo

É a primeira baixa de um governante no Executivo de António Costa em relação às polémicas nomeações de familiares. O secretário de Estado do Ambiente pediu a demissão do cargo após ter nomeado um primo seu como seu adjunto no gabinete.

“Entendo que o assunto pode prejudicar o Governo, o Partido Socialista e o senhor primeiro-ministro. Com a mesma honra que determinou a minha aceitação de funções governativas, entendo, nesta hora, pedir a minha demissão ao senhor primeiro-ministro e ao senhor ministro”, pode-se ler no comunicado divulgado esta quinta-feira, 4 de abril.

“Ao longo destes anos, enquanto secretário de Estado do Ambiente, agi sempre por critérios de boa-fé e procurei dar o meu melhor para atingir os objetivos do Governo e do Ministério do Ambiente e da Transição Energética”, afirmou Carlos Martins que se encontra atualmente na Costa Rica. “Estou em missão de trabalho no estrangeiro e tomei conhecimento da polémica em torno da nomeação de um membro da equipa do meu gabinete”, disse no comunicado o ex-governante.

A demissão já foi aceite pelo ministro do Ambiente João Pedro Matos Fernandes e pelo primeiro-ministro António Costa. O primo de Carlos Martins, e seu adjunto, já tinha anunciado na quarta-feira a sua demissão. O ministro do Ambiente disse ao Observador que não tinha conhecimento que Carlos Martins tinha nomeado um primo seu para seu adjunto. Como consequência, o secretário de Estado do Ambiente acabou por pedir para sair do Governo.

Antes de ser conhecida esta demissão, o líder da oposição disse na manhã desta quinta-feira que as relações familiares no Governo já tinham ultrapassado todos os limites. “Passou todos os limites. Não é por se demitir um ou dois que altera o que quer que seja”, disse hoje o presidente do PS.

“Eu próprio quando tive oportunidade de chamar a atenção para o facto os ministros serem marido e mulher, pai e filha. Eu não tive noção que por detrás disto estavam casos mais graves.Uma coisa são os ministros outra são as nomeações para adjuntos e chefes de gabinete de todo o aparelho de Estado, enxameados de familiares de governantes de pessoas bem posicionadas no Partido Socialista”, afirmou.

As relações familiares no Governo de António Costa envolvem 50 pessoas e 20 famílias, segundo uma contagem feita pelo Jornal Económico. Entre entradas e saídas, passaram ou ainda estão no Governo socialista 50 pessoas com relações familiares entre si, ou com algum dos deputados do PS, ou com algum parentesco de ex-deputados do PS ou dirigentes socialistas (atuais ou anteriores), ou que tenham sido nomeadas para um organismo estatal nesta legislatura, num total de 20 famílias.

 

Ministro do Ambiente agradece “empenho profissional” de Carlos Martins

João Pedro Matos Fernandes veio a público “agradecer todo o empenho profissional e político” do ex-secretário de Estado do Ambiente e “registar os seus relevantes sucessos, conseguidos ao longo dos mais de três anos em funções”.

“De entre estes, devem destacar-se o processo de fusão dos sistemas municipais de gestão de águas, os novos planos de gestão de recursos hídricos, a condução do processo de adaptação do território às alterações climáticas e uma nova política de gestão para os resíduos sólidos urbanos, fundada nos princípios da economia circular”, segundo um comunicado do gabinete do ministro do Ambiente e da Transição Energética.

“No contexto das políticas do Ministério, a ação generosa e esclarecida do Carlos Martins foi de importância capital e deixa um legado de futuro que iremos continuar, desenvolver e aprofundar”, conclui o comunicado do ministério do Ambiente.

 

Relações familiares no Governo de António Costa envolvem 50 pessoas e 20 famílias

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“Não é por se demitir um, dois ou três que altera o que quer que seja”, exclamou hoje o líder da oposição, ainda antes de ser conhecida a demissão do secretário de Estado do Ambiente.

Relações familiares no Governo de António Costa envolvem 50 pessoas e 20 famílias

Uma contagem anterior apontava que existiam 27 pessoas e 12 famílias no poder, mas nos últimos dias vieram a público mais nomes, catapultando o número para 50 pessoas e 20 famílias, mais um ex-casal.

Primo do secretário de Estado do Ambiente demitiu-se após nomeação. Matos Fernandes desconhecia relação familiar

Armindo dos Santos Alves, tinha sido nomeado pelo secretário de Estado do Ambiente como adjunto em setembro de 2016, conforme indica o despacho publicado em “Diário da República”.
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