Respostas Rápidas: O que arrastou o PSI 20 (e as outras bolsas) para terreno negativo?

A curva de rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA inverteu pela primeira vez desde 2007. As obrigações de curto-prazo (um mês, três meses, seis meses e um ano) oferecem mais rentabilidade que título de 10 anos do Tesouro.

Esta sexta-feira o PSI 20 desvalorizou 2,04%, a maior queda do ano, para 5.157,05 pontos.

Quantas empresas cotadas no PSI 20 registaram perdas?

Todos os títulos das empresas cotadas no principal índice da bolsa nacional caíram, com a exceção da EDP.

A liderar as perdas, estiveram o BCP e a Galp. O banco desvalorizou 2,47%, para 0,22 euros, enquanto a petrolífera perdeu 2,81%, para 13,84 euros. Os títulos dos CTT também registaram um desempenho negativo, ao caírem 1,42%, para 2,64 euros. E a REN também desvalorizou 2,35%, para 2,58 euros.

 

A queda do PSI 20 foi um caso isolado no panorama europeu?

Não. Esta sexta-feira foi um dia negro para as principais praças europeias.

O índice pan-europeu, Euro Stoxx 50, que agrega 50 títulos de onze países da União Europeia – Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Holanda, Portugal e Espanha – e que serve de indicador para os investidores sobre o desempenho das bolsas europeias, desvalorizou 1,22%.

A tendência negativa verificou-se no Dax alemão (-1,61%), no francês CAC 4o (-2,03%), no espanho IBEX 35 (-1,67%), no britânico FTSE 100 (-2,01%).

Como está a negociar Wall Street?

Do outro lado do Atlântico, os principais índices da bolsa de Nova Iorque acompanham a trajetória negativa europeia. Às 17h48, o S&P 500 está a desvalorizar 1,57%, para 2.810,12 pontos; o tecnológico Nasdaq está a perder 1,77%, para 7.360,34 pontos; e o industrial Dow Jones está a recuar 1,44%, para 25.588,49 pontos.

O que está a acontecer?

Estão a suceder-se diversos sinais económicos que estão a penalizar os investidores e, consequentemente, os mercados bolsistas. Isto é, o mercado está a comporta-se tendo em conta uma possível redução das taxas de juro – pelo menos nos Estados Unidos, em 2020 – que é um sinal de abrandamento da atividade económica.

Recorde-se que um banco central, como a Reserva Federal norte-americana, tem como funções estabilizar a economia norte-americana. Por vezes, isso traduz-se em estimular a economia através da descida das taxas de juro. Ora, se isso vier efetivamente a acontecer, a Fed poderá estar a antecipar que, num futuro próximo, a economia tenha um desempenho pior do que o atual.

Quais os principais sinais de alarme?

Principalmente são os dados macro-económicos. Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu, na primeira semana deste mês, disse duas coisas muito importantes:

Primeiro: anunciou que a taxa de juro diretora vai continuar nos 0%, com a taxa aplicável à facilidade de depósito a permanecer nos -0,40%, enquanto a taxa aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez fica em 0,25%.

O BCE também anunciou o lançamento de uma nova série de empréstimos à banca com o objetivo de fomentar o crescimento económico nos países da zona euro em setembro de 2019.

Segundo: reviu em baixa o crescimento da economia da moeda única, para 1,1% em 2019, o que compara com o crescimento de 1,7%, estimado em dezembro. Para 2020, o BCE espera um crescimento de 1,6%, também abaixo do inicialmente previsto (1,7%).

Segundo Ramiro Loureiro, analista do Millennium bcp “a entrada inesperada em contração da atividade na indústria e nos serviços franceses e um agravamento muito mais acentuado que o previsto da atividade transformadora alemã tiveram rosto visível na queda das yields da dívida soberana germânica para valores negativos pela primeira vez desde 2016″.

Da China, os dados também não são favoráveis. Sobre o crescimento da economia chinesa, há quem fale em “crescimento anémico”. No início de março, a China anunciou a projeção de crescimento mais baixa do PIB para 2019 (6%), justificando-se com o arrefecimento economia, que em 2018 teve o pior desempenho nos últimos trinta anos.

Nos Estados Unidos, a Fed anunciou que federal funds rate vai continuar fixada num intervalo entre 2,25% e 2,50%. O banco central norte-americano confirmou ainda a tendência de desaceleração da economia, inscrita nas projeções de dezembro, e prevê um PIB de 1,9% em 2020 e 1,8% em 2021.

O que significa a inversão das taxas de juro?

Ao prometer “paciência”, acabando com a redução do balanço e descartando novos aumentos de juros para este ano, a Fed deu a “margem” à curva de juros. Isto, somado aos dados macro-económicos europeus e chineses, sugere que a desaceleração da economia não terminou. As bolsas de valores da Europa foram assim vítimas desse medo, com quedas que ultrapassaram 1,5%.

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