Restrições à circulação obrigam PS a adiar reunião para decidir orientações para as presidenciais

A reunião foi reagendada para 7 de novembro, podendo vir a ser formalizado o apoio a uma das pré-candidaturas já anunciadas. Divisões internas entre o apoio à recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa ou à ex-eurodeputada do PS Ana Gomes persistem.

Flickr/PS

O Partido Socialista (PS) voltou a adiar a reunião da Comissão Nacional para decidir a posição do partido em relação às eleições presidenciais de janeiro. A reunião foi reagendada para 7 de novembro, podendo vir a ser formalizado o apoio a uma das pré-candidaturas já anunciadas, numa altura em que persistem divisões internas entre o apoio à recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa ou à ex-eurodeputada do PS Ana Gomes.

“A reunião da Comissão Nacional do Partido Socialista, que estava marcada para dia 31 de outubro, foi reagendada para dia 7 de novembro, devido às restrições de circulação aprovadas na última reunião do Conselho de Ministros“, lê-se numa nota enviada pelos socialistas à comunicação social.

Tal como estava anteriormente previsto, a reunião dos membros do órgão máximo do PS entre congressos terá a mesma ordem de trabalhos, que será dedicada à análise da situação política e às eleições presidenciais, e deverá ter lugar no cineteatro Capitólio, no Parque Mayer, em Lisboa, a partir das 14h30.

A convocatória para decidir o posicionamento do PS em relação às presidenciais surge depois de o secretário-geral do partido, António Costa, ter dado a entender, numa visita à Autoeuropa em maio, que apoiaria a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa (militante do PSD) à Presidência da República. O lançamento de Ana Gomes (militante do PS) na corrida às presidenciais veio trocar as voltas aos socialistas.

Questionado sobre a candidatura de Ana Gomes e um eventual apoio do PS, o secretário-geral adjunto dos socialistas, José Luís Carneiro, remeteu declarações para “hora própria” e sublinhou que as candidaturas presidenciais não são “patrocinadas pelos partidos políticos”. Ao que o JE apurou, a liberdade de voto parece, no entanto, ser o princípio que reúne mais consenso entre os membros da Comissão Nacional do PS.

Na formalização da candidatura, a 10 de setembro, Ana Gomes referiu que esperou “durante meses” que o PS avançasse com um candidato à Presidência da República e que, tendo em conta a demora, decidiu avançar em defesa da democracia e contra os “interesses instalados” e em nome do “campo do socialismo democrático e progressista”.

A candidatura de Ana Gomes conta já com alguns apoios dentro do PS, como o antigo líder parlamentar e ex-eurodeputado socialista Francisco Assis, e do líder da tendência minoritária dentro da Comissão Política do PS, Daniel Adrião. Também o ex-candidato presidencial e antigo deputado eleito pelo PS Henrique Neto já veio dizer que é uma candidatura “potencialmente vencedora” e Paulo Pedroso, ex-ministro do PS (que entretanto se desfiliou do partido) escreveu no Twitter que “há muito tempo” que “não via o líder da extrema-direita tão nervoso”.

Fora do partido, Ana Gomes já recebeu também o apoio do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), que destacou a diplomata e ex-eurodeputada como uma candidata “forte e independente” e a única que é “progressista, humanista, europeísta” e “vai ao encontro dos valores do PAN e sente a emergência climática que vivemos e também as preocupações dos nossos jovens”.

Já Marcelo Rebelo de Sousa, que ainda não anunciou se será recandidato, conta desde já com o apoio do Partido Social Democrata (PSD). Assim que anunciar a recandidatura, o CDS-PP já se comprometeu também a apoiar o Chefe de Estado num novo mandato a Belém. Da parte do PS, conta também com o voto de ex-presidente da Câmara de Lisboa, João Soares, e do atual autarca lisboeta Fernando Medina.

Entre os socialistas, há também quem já tenho assumido que vai apoiar a candidatura do candidato do Partido Comunista Português (PCP), João Ferreira, como foi o caso da deputada Isabel Moreira.

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