Revoluções

O poder do conhecimento ajuda-nos no processo de desenvolvimento, quer individualmente, quer coletivamente, permitindo que tomemos melhores decisões, façamos melhores escolhas, aprendamos mais com os nossos erros, e sejamos mais capazes de nos integrarmos na parte mais desenvolvida do mundo.

Há 3 tipos de revoluções: culturais, políticas e tecnológicas. As revoluções tecnológicas anunciadas para a década de 2020 são tão disruptivas que arrisco o prognóstico de que as outras revoluções passarão a estar a reboque destas.

Com a próxima década virá uma revolução nanotecnológica. Revolucionará a economia através da produção em massa de produtos industriais de forma muito barata e rápida. Revolucionará a saúde na medida em que poderemos suplantar muitas limitações biológicas.

Teremos uma revolução robótica que trará máquinas com uma inteligência artificial equivalente à humana. A computação quântica permitirá fazer cálculos à razão de vários triliões por segundo, tornando-se gradualmente acessível ao cidadão comum. Teremos também uma realidade virtual que será difícil de distinguir da realidade real.

A interconexão digital de edifícios, objetos e veículos será uma realidade massificada, substituindo gradualmente o controle humano destes objetos por controle computorizado.

Perante este cenário que se concretizará na próxima década, qual a melhor forma de nos posicionarmos, quer individualmente, quer enquanto sociedade? Numa sociedade em que há jovens que não estudam nem trabalham, adultos que vivem dependentes de familiares e dos contribuintes por não terem tido a oportunidade de desenvolver uma mentalidade de autodesenvolvimento e autorrealização, idosos analfabetos, o que falta ser feito para não haver cada vez mais cidadãos socialmente excluídos do mundo que se desenvolve a uma velocidade alucinante?

O passo mais importante, que também é o mais difícil, e que por isso urge priorizar, é a mudança de mentalidades. Esta mudança é algo que deve ser, desde logo, uma decisão pessoal, para além de poder e dever ter o apoio das comunidades, principalmente escolas. Urge desenvolver, dentro da cabeça de cada um, pensamentos de responsabilidade individual, em que se substitui uma condição de autossabotagem e vitimização por um estado de aprofundamento duradouro de autoconhecimento, de aproveitamento das oportunidades, aquisição contínua de conhecimento. Este passo pode ser acompanhado pela criação, por parte do Estado, de um ambiente favorável para o desenvolvimento das mentalidades nesse sentido, nomeadamente através da criação de um ambiente geral de igualdade de oportunidades, da despartidarização na escolha de assessores e funcionários a favor do mérito e das competências, da evolução do paradigma do assistencialismo garantido para o da inserção e reinserção, do reposicionamento da ciência e do desenvolvimento tecnológico no centro da economia.

Estas mudanças de mentalidade são uma base necessária para a evolução para uma sociedade cada vez mais do conhecimento. O poder do conhecimento ajuda-nos no processo de desenvolvimento, quer individualmente, quer coletivamente, permitindo que tomemos melhores decisões, façamos melhores escolhas, aprendamos mais com os nossos erros, e sejamos mais capazes de nos integrarmos na parte mais desenvolvida do mundo.

Não esperemos pelo futuro, vamos participar na sua construção. Sejamos a melhor versão de nós mesmos cultivando-nos. Sejamos a mudança que queremos ver no mundo. Derrotado não é quem perde, mas quem desiste. Vamos acabar com as desistências precoces dos jovens nas escolas, com as desistências de procura de emprego pelos desempregados que se desencorajam, com as desistências da vida por idosos sem esperança. Vamos controlar as nossas vidas com disciplina, com sede de aprender e com fome de justiça. Vamos deixar de esperar que as coisas aconteçam e vamos fazê-las acontecer.

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