Ricciardi admite criar banco para “regenerar o nome da família Espírito Santo” (com áudio)

“A família Espírito Santo era conhecida em todo o lado, o melhor nome da banca portuguesa foi destruído. Se conseguir começar a fazer a sua regeneração, para que as gerações seguintes o desenvolvam, partirei desta vida com a consciência tranquila de que fiz tudo o que podia”, disse Ricciardi ao “Público”.

O ex-administrador do BES José Maria Ricciardi relatou no parlamento, em 2014, que viveu dois anos de “inferno total”, devido aos seus esforços para tentar alterar a situação que se ia acumulando no Grupo Espírito Santo. Já em março deste ano, em entrevista ao jornal Público, afirmou que “é verdade que a Justiça demora tempo, mas acaba por funcionar. Não tenho dúvidas que levarão a condenações”.

José Maria Ricciardi admitiu “tentar criar um banco novo” de forma a regenerar o nome da família Espírito Santo, que foi destruído aquando da queda do Banco Espírito Santo (BES). Ao “Público”, o primo de Ricardo Salgado afirmou ter sido “desafiado a regenerar o grupo por um elemento da minha família. Mas já não sou novo e espero ter energia e tempo pela frente para cumprir esse desejo”.

“Vou tentar criar um banco novo, num conceito diferente dos chamados bancos clássicos. Terá de ser pequeno, pelo menos no início, virado para o mundo digital, mas que dê às próximas gerações e aos colaboradores a possibilidade de crescer no futuro”, disse José Maria Ricciardi à publicação, apontando querer melhorar o nome da família.

Questionado sobre se estaria confiante de que irá conseguir criar um banco depois de todo o circo mediático à volta do BES, o ex-banqueiro assume que “é muito difícil”. “A família Espírito Santo era conhecida em todo o lado, o melhor nome da banca portuguesa foi destruído. Se conseguir começar a fazer a sua regeneração, para que as gerações seguintes o desenvolvam, partirei desta vida com a consciência tranquila de que fiz tudo o que podia”, disse ao “Público”.

Abordando a queda da BES, em que a Comissão Liquidatária declarou Ricciardi como um dos 13 culpados da falência no banco, o “Público” volta a questionar o economista como é que este pode alegar que não sabia o que se passava na entidade quando era membro do conselho de administração. “Compreendo a dúvida e sei que nunca irei convencer toda a gente e a única coisa que posso dizer é que após seis anos de toda a minha vida ter sido passada a pente fino, escrutinadas as minhas contas, o que fiz e o que não fiz, o que sabia e o que não sabia (…) fui totalmente ilibado”.

Falando sobre as informações e provas que entregou ao Banco de Portugal em 2012 e 2013, Ricciardi admite que “provavelmente” poderia ter feito melhor, ainda que insista que “fiz tudo o que podia”. “De toda a família sou o único a continuar a trabalhar no sector financeiro, cuja idoneidade nunca me foi retirada”.

BES devia ter ficado no Estado até ser saneado

O ex-membro do conselho de administração do BES adiantou que o banco “devia ter ficado no Estado, e ter-se negociado uma capitalização pública, tal como se fez no britânico Lloyds, o maior banco do Reino Unido, que estava numa situação extremamente difícil”.

Apesar de ser amigo e admirar Pedro Passos Coelho, que resolveu toda a situação que envolve o banco, José Maria Ricciardi afirma que “se o tema BES tivesse sido tratado por este Governo o desfecho teria sido provavelmente outro, pois o atual primeiro-ministro sabe negociar com Bruxelas”.

Explorando o exemplo do Lloyds, o antigo banqueiro sustenta que o Estado britânico revendeu parte das ações com lucro para os contribuintes ingleses não ficarem a perder.

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