Rio recusa soluções para professores em que parlamento se substitua ao Governo

O líder do PSD voltou a defender que o tempo que esteve congelado “deve contar na globalidade” e que os sete anos ainda não contabilizados pelo executivo deveriam resultar de um equilíbrio entre vários fatores.

O presidente do PSD, Rui Rio, recusou hoje que o parlamento se possa substituir ao Governo na solução sobre o tempo de serviço dos professores, defendendo que terá de ser o executivo a negociar.

Rui Rio reuniu-se hoje com a UGT e tinha à sua espera, à entrada e à saída, uma pequena delegação de elementos do Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação (Sinape), que pertence a esta estrutura sindical.

Do outro lado da rua, menos de uma dezena de pessoas empunhava cartazes quando o líder do PSD entrou e saiu da UGT contra a decisão do Governo de não repor os nove anos, quatro meses e dois dias, mas mantiveram-se em silêncio e não tentaram abordar Rui Rio, que também não se dirigiu aos sindicalistas.

“Trato destas questões, seja dos professores seja outras, de forma mais institucional. Não me parece que no meio da rua seja a forma ideal de tratar o que quer que seja”, justificou, questionado pelos jornalistas.

Sobre como irá o PSD votar as propostas de BE e PCP, que propõem calendários específicos para a reposição de todo o tempo de serviço dos professores que esteve congelado, Rio admitiu não ter ainda analisado com atenção os diplomas, mas enunciou um princípio.

“Admito que caiam na tentação de se tentar que o parlamento se substitua ao Governo e isso é muito perigoso. Não vi os projetos, mas o que vi do discurso político leva-me a concluir que querem impor uma maioria parlamentar, substituindo as funções do Governo pelo parlamento, e aí termos de ter cuidado”, disse.

Rui Rio reiterou a posição do PSD, que se traduzirá numa proposta a levar a votos no próximo dia 16 de abril, quando forem discutidas as apreciações parlamentares ao decreto-lei do Governo, que contabiliza mais de dois anos.

O líder do PSD voltou a defender que o tempo que esteve congelado “deve contar na globalidade” e que os sete anos ainda não contabilizados pelo executivo deveriam resultar de um equilíbrio entre vários fatores.

“Para os professores, seria mau chumbar o diploma, porque assim ficariam sem nada. Dois anos é melhor do que nada, mas ainda assim faltam sete, que têm de ser fruto de negociações entre professores e Governo”, apontou.

O ‘mix’ já enunciado por Rui Rio assenta na devolução de uma parte do tempo em salários, distribuída pelo “eixo do tempo”, e outra parte em antecipação de anos de reforma.

“Deste ‘mix’ podemos facilmente encontrar uma solução de equilíbrio. Se o Governo negociasse, era possível chegar lá (…) Se o Governo não quer, não quer e não quer, tem de ser substituído por um que queira negociar”, apelou.

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