Rui Gomes da Silva diz que está em curso uma “apropriação individual, abusiva e irreversível do Benfica”

Numa carta aberta ao presidente da mesa da assembleia geral dos ‘encarnados’ Luís Nazaré, o antigo vice-presidente do Benfica fala na “jogada” da OPA parcial do clube da Luz, que está a ser preparada por “alguns que se acham com o direito de ficar com o Benfica para eles”.

Rui Gomes da Silva publicou esta segunda-feira, 2 de dezembro, uma carta aberta ao atual presidente da mesa da assembleia geral (MAG) do Benfica, Luís Nazaré, na qual indica os passos que podem levar Luís Filipe Vieira a ser presidente da SAD do Benfica “até ao fim da vida”.

No documento divulgado no blog “Geração Benfica“, o antigo vice-presidente do clube da Luz, escreve sobre a OPA parcial que está a ser preparada pelos ‘encarnados’ e apela a Luís Nazaré, que enquanto presidente da MAG faça tudo “para impedir esta jogada para que estamos a ser levados … com a ignorância de uns, a boa fé de outros, o voluntarismo de outros tantos, a conivência de uns poucos, … contra a frieza e a determinação de alguns (muito poucos) que se acham com o direito de ficar com o Benfica para eles!”.

Para Rui Gomes da Silva está em curso uma “apropriação individual, abusiva e irreversível do Benfica por gente para quem o SLB passará de instituição (o que já era muito mau) a activo (o que será … inqualificável)”.

O antigo dirigente encarnado anuncia que irá “disputar as próximas eleições contra isto e contra todos os abusos que constatamos todos os dias”, pedindo um “rigoroso controlo do voto eletrónico”.

Posso – podemos, todos os que são do Benfica como SÓCIOS e não pelos negócios – contar com a tua vontade, com a tua determinação, com a tua imparcialidade, mas, acima de tudo, com o teu benfiquismo para que não sejas lembrado como “colaboracionista” com o que querem fazer ao BENFICA?

O antigo vice-presidente começa por referir que com esta operação o Benfica “devolve 32 milhões de euros a investidores amigos e companheiros – de viagem ou de viagens, de compras ou de vendas  – do Presidente, que verão as suas ações valorizadas em 81% (em relação ao valor que tinham antes do anúncio da operação)”.

Rui Gomes da Silva fala também no futuro aparecimento de potenciais acionistas interessados – desconhecidos de quase todos mas conhecidos de quase ninguém – mas com exigências diversas que vão desde uma diminuição no valor da ação até à não aceitação do disposto nos Estatutos do Benfica”.

O antigo dirigente benfiquista acredita que com a concretização desta OPA “será então, colocada aos sócios do Benfica a opção: ou aceitam perder a maioria na Benfica SAD para terem uma equipa para a Europa ou teremos que nos resignar a esta supremacia doméstica”.

Uma situação que na opinião de Rui Gomes da Silva, levará à entrada na Benfica SAD de “parceiros estratégicos” que “apenas o serão do nosso atual parceiro estratégico e do actual Presidente, desconhecidos de toda a gente, mas muito bem conhecidos e amigos de quem agilizar essa operação”.

Finalizada esta operação, escreve Rui Gomes da Silva, que “o Benfica deixará de ser nosso, o atual Presidente será Presidente da SAD até ao fim da vida e o Seixal servirá como abastecedor de uma estratégia de entreposto de jogadores, com os sócios a constarem a forma como foram enganados … embora já nada seja possível fazer!”

A finalizar, o antigo vice-presidente reassume a vontade de “disputar as próximas eleições contra isto e contra todos os abusos que constatamos todos os dias”, mesmo que lhe digam que “será impossível eu ganhar, porque o – ainda – Presidente do Benfica nunca poderá perder!”

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