Rui Rio: “Défice foi alcançado à custa de um enorme aumento de impostos”

O presidente do PSD considerou que, face ao andamento da economia internacional que permitiu algum crescimento, “o Governo poderia, com grande facilidade, ter conseguido um resultado substancialmente melhor”, “perto do equilíbrio orçamental”.

O presidente do PSD, Rui Rio, defendeu hoje que o Governo poderia ter conseguido um défice “substancialmente melhor” e que o resultado de 0,5% foi alcançado “à custa de um enorme aumento de impostos”.

“Este défice é conseguido com a maior carga fiscal que alguma vez incidiu sobre os portugueses, à custa de um enorme aumento de impostos e não de uma gestão eficiente da despesa. Também há uma parte da despesa, mas são cortes à bruta”, apontou, questionado pelos jornalistas, no final de uma reunião de mais de duas horas com a UGT.

O presidente do PSD considerou que, face ao andamento da economia internacional que permitiu algum crescimento, “o Governo poderia, com grande facilidade, ter conseguido um resultado substancialmente melhor”, “perto do equilíbrio orçamental”.

“Se não conseguimos equilíbrio orçamental quando a economia cresce, quando é que vamos ter?”, questionou, considerando que essa seria a situação desejável para poder ter défices em períodos de crise.

“É um resultado positivo, 0,5% é melhor que 0,6%, mas as condições permitiam um resultado substancialmente melhor”, afirmou.

O défice orçamental de 2018 ficou nos 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo dos 0,6% previstos pelo Governo, divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo a primeira notificação de 2018 relativa ao Procedimento por Défices Excessivos, remetida hoje pelo INE ao Eurostat, o défice das Administrações Públicas atingiu 912,8 milhões de euros, o que correspondeu a 0,5% do PIB, abaixo do saldo negativo de 3% registado em 2017.

O INE anunciou ainda que a carga fiscal aumentou em 2018 face ao ano anterior e atingiu 35,4% do Produto Interno Bruto (PIB), o valor mais alto desde pelo menos 1995.

Segundo dados preliminares do INE, a carga fiscal, que inclui receita de impostos e contribuições efetivas, subiu de 34,4% em 2017 para 35,4% em 2018, sendo esta a percentagem mais elevada desde o início da série disponibilizada pelo instituto.

O conceito de carga fiscal define-se pelos impostos e contribuições sociais efetivas (excluindo-se as contribuições sociais imputadas) cobrados pelas administrações públicas nacionais e pelas instituições da União Europeia.

Tendo em conta apenas o total de receitas tributárias (impostos sobre os rendimentos, de produção e importação e de capital), o valor total arrecadado atingiu 52.221,9 milhões de euros, mais do que os 49.077,7 milhões cobrados em 2017.

O valor total das receitas tributárias é igualmente o mais alto desde que há dados.

O mesmo se verifica com as contribuições sociais efetivas das famílias, montante que totalizou 8.055,6 milhões de euros em 2018 contra 7.618,9 milhões em 2017.

Ler mais
Relacionadas

“Um resultado histórico e virtuoso”: António Costa reage ao melhor défice em democracia

Primeiro-ministro reagiu aos dados do INE que revelam que o défice de 2018 se fixou em 0,5% do PIB. António Costa destaca que resultado coloca Portugal melhor preparado “para a conjuntura internacional e para continuar a reforçar o investimento público”.

“Esta é uma conquista desta legislatura”, diz Mário Centeno sobre défice histórico

Ministro das Finanças reagiu à divulgação dos dados relativos ao défice do ano passado. O valor fixou-se abaixo da meta do Governo de 0,7%. “Nos últimos três anos, Portugal conseguiu ganhar um estatuto de credibilidade que nunca antes tinha atingido. Mostrámos à Europa que havia uma alternativa”, disse Centeno.

Marcelo vê um “défice de 0% ou próximo disso” este ano

Presidente da República reagiu aos dados de que o défice do ano passado caiu para 0,5% do PIB. Marcelo Rebelo de Sousa volta a refutar ideia de que injeção de capital no Novo Banco terá impacto no défice deste ano.
Recomendadas

Países do Mercosul aceleram entrada em vigor do acordo com União Europeia

Os países do Mercosul concordaram em entrar individualmente no acordo com a União Europeia à medida que o parlamento de cada Estado aprovar o texto, sem esperarem pela aprovação de todos as nações para oficializar a integração.

Circulação ferroviária na Linha de Cascais interrompida por causa de atropelamento

A circulação ferroviária na Linha de Cascais está interrompida nos dois sentidos desde o início da manhã por causa de um atropelamento que provocou um morto, disse à Lusa fonte da Proteção Civil.

Exercício da proteção civil condiciona hoje trânsito em Monsanto

O exercício vai condicionar o trânsito em vários pontos de Monsanto entre as 9:30 e as 11:30, saiba quais.
Comentários