Rui Rio reeleito presidente do PSD com 53% dos votos dos militantes

Porto e Aveiro tiveram o maior peso na vitória eleitoral do atual e futuro líder social-democrata, que também reduziu a desvantagem em Braga. Não chegou a Montenegro “herdar” Lisboa Área Metropolitana e Setúbal de Miguel Pinto Luz.

Rui Rio foi reeleito presidente do PSD na segunda volta das eleições diretas para a presidência do partido realizadas neste sábado, derrotando sem margem de dúvidas Luís Montenegro. Quando ainda faltava apurar os votos de 19 secções (11 das quais na Região Autónoma da Madeira, onde não houve votação) tinha quase dois mil votos de vantagem, contando com 17.009 militantes (53,11%) contra os 15.018 (46,89%) que prefeririam vê-lo substituído pelo antigo líder do grupo parlamentar.

Para esse resultado tiveram contributo decisivo as distritais do Porto, onde 3.939 militantes deram apoio à reeleição (64,11% do total, cavando um fosso de 1.734 votos em relação ao rival), e de Aveiro, onde Rio obteve 59,53% e 2.205 votos (mais 706 do que Montenegro). Mas também Viana do Castelo, Vila Real, Bragança e Guarda lhe concederam uma vantagem que só não foi mais esmagadora nessa região porque o derrotado nas diretas mantinha uma vantagem de 13 votos no distrito de Viseu quando faltava apurar o resultado do concelho de Nelas, e de 12 votos no de Coimbra antes de oficializados os votos de Penacova e Lousã.

Pelo contrário, Luís Montenegro teve uma grande vitória em Lisboa – Área Metropolitana, que na primeira volta fora ganha por Miguel Pinto Luz. Contando com novos apoios como o do presidente da distrital, Ângelo Pereira, e o do presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, o adversário do atual e futuro líder social-democrata obteve 65,03% dos votos, com 1.182 votos de vantagem sobre Rio. E repetiu o mesmo resultado em Setúbal, outro “feudo” de Pinto Luz, beneficiando também da ‘transferência’ de apoiantes como o líder distrital Bruno Vitorino, com 67,69% do total dos militantes, e uma vantagem de 289 votos em relação ao presidente.

Confirmou-se também a vitória obtida por Montenegro na primeira volta das diretas em distritos como Braga, mas a vantagem em relação a Rio reduziu-se, ficando com 52,14% dos votos (mais 207 militantes), ou em Leiria, onde a influência da mandatária nacional Margarida Balseiro Lopes, também presidente da Juventude Social-Democrata e deputada, contribuiu para um triunfo por 58,04% (mais 240 votos do que os obtidos pelo presidente reeleito).

No início da noite chegou a ocorrer um empate a 10.775 votos entre as candidaturas de Rui Rio e de Luís Montenegro, e antes disso um único voto dava vantagem ao atual presidente social-democrata sobre o antigo líder do grupo parlamentar quando estavam apurados os votos dos militantes do partido em 181 secções.

Os 40.451 militantes do PSD com a quota de janeiro em dia tiveram neste sábado a oportunidade de escolher entre Rui Rio e Luís Montenegro na segunda volta das eleições diretas para a presidência do partido. As urnas estiveram abertas em todo o país menos na Região Autónoma da Madeira, devido ao diferendo entre as estruturas regional e nacional quanto às condições necessárias para ter direito a voto, entre as duas da tarde e as oito da noite. Soube-se pouco depois que a candidatura de Luís Montenegro iria pedir a impugnação da eleição nas secções de Alter do Chão, Gavião e Ponte de Sor, todas pertencentes ao distrito de Portalegre, pois as urnas não abriram à hora estipulada.

Na primeira volta o candidato mais votado tinha sido Rui Rio, com 49,02% dos votos, enquanto Luís Montenegro convenceu 41,42% dos militantes e o vice-presidente da Câmara de Cascais, Miguel Pinto Luz, obteve 9,55%. Não chegou para passar à segunda volta e também não anunciou preferência por qualquer um dos outros candidatos. Ainda assim, a maioria dos seus apoiantes optaram pelo apoio a Montenegro.

Já depois de ser evidente a vitória de Rio, Pinto Luz escreveu uma mensagem nas redes sociais a cumprimentar o líder reeleito “pela vitória e por ter merecida a confiança dos militantes”, elogiando também Montenegro “pela elevação democrática com que disputou esta eleição”. Segundo o candidato, que garantiu que o PSD contará com a sua “militância leal e interventiva”, o partido precisa, “depois deste período de disputa interna, de voltar a ser uma opção credível e a verdadeira alternativa ao atual Governo”.

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