A Rússia instalou um sistema de mísseis balísticos de alcance intermédio chamado Oreshnik na Bielorrússia, anunciou o Ministério da Defesa russo esta terça-feira, divulgando imagens das armas, que têm capacidade nuclear, a serem colocadas no terreno. O anúncio surge na sequência da declaração do presidente bielorrusso, Aleksandr Lukashenko, de que os mísseis Oreshnik estavam para chegar ao seu país, com a instalação de pelo menos dez unidades. O presidente russo, Vladimir Putin, revelara dias antes que os Oreshnik entrariam em serviço de combate antes do final do ano.
O Oreshnik é um míssil balístico de alcance interédio que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos identifica como uma variante do RS-26 Rubezh. O Pentágono, segundo avança a agência Euronews, descreve-o como “experimental” e baseado no programa russo de mísseis balísticos intercontinentais RS-26, que teria sido desativado em 2018 e que, por sua vez, é uma versão mais curta do míssil balístico intercontinental RS-24 Yars. Estima-se que o míssil tenha entre 15 e 18,5 metros de comprimento, com um diâmetro de cerca de 1,9 metros, e está montado num transportador e lançador móvel para implantação e ocultação rápidas – o que pode comprovar-se mas imagens divulgadas pela Rússia.
O Ministério da Defesa da Bielorrússia afirmou, citado pela mesma fonte, que os Oreshnik têm um alcance de até cinco mil km, o que coloca a maior parte da Europa ao seu alcance. A imprensa russa adianta que o míssil pode atingir a Polónia em 11 minutos e a sede da NATO (em Bruxelas) em 17 minutos. Armas semelhantes ao Oreshnik foram proibidas pelo Tratado de Armas Nucleares de Alcance Intermediário (INF), do qual Washington e Moscovo se retiraram em 2019.Uso em combate
A Rússia utilizou o míssil Oreshnik pela primeira vez em 21 de novembro de 2024, atingindo as instalações da Autoridade Palestiniana em Pivdenmash, Dnipro, no leste da Ucrânia. O míssil foi lançado do campo de treino de Kapustin Yar, na região de Astrakhan, a aproximadamente 800 km do alvo. Moscovo avisou Washington sobre o ataque com antecedência – que descreveu como um “teste bem-sucedido” e um aviso aos Estados Unidos e ao Reino Unido, que consideravam fornecer à Ucrânia armas de longo alcance capazes de atingir alvos em território russo.
Von der Leyen insiste na entrada da Ucrânia na UE
Entretanto, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, insistiu que a adesão da Ucrânia à União Europeia é um componente fundamental para as futuras garantias de segurança do país, após conversas com líderes europeus para avaliar os resultados das rondas mais recentes das negociações de paz. Von der Leyen afirmou que a adesão ao bloco representa “uma garantia de segurança fundamental por si só”. “Em última análise, a prosperidade de um Estado ucraniano livre reside na adesão à UE”, disse. “A adesão não beneficia apenas os países que aderem: como demonstram as sucessivas ondas de alargamento, a própria Europa beneficia.” A entrada na União exige reformas significativas – que a Ucrânia não está em condições de efetuar – e deve ser aprovada por unanimidade pelos 27 países.
Para a Comissão, a adesão da Ucrânia representa um delicado equilíbrio entre a implementação de um processo baseado no mérito, igual para todos os países candidatos, e o reconhecimento da situação extraordinária do país, com negociações de paz em curso. A proposta da presidente da Comissão é, por isso, meramente política e nada tem a ver com as condições concretas que são normalmente exigidas aos países que vão entrar. Por outro lado, a Ucrânia enfrenta o veto do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que tem argumentado repetidamente que Kiev não preenche os critérios para aderir à UE, sugerindo, na melhor das hipóteses, uma parceria estreita. Este ano, o seu veto bloqueou qualquer progresso nas negociações de adesão da Ucrânia.
Após mais uma teleconferência entre vários países da União que se têm destacado no apoio à Ucrânia esta terça-feira, o primeiro-ministro interino neerlandês, Dick Schoof, afirmou que a ‘Coligação dos Dispostos’, um grupo de países que apoiam a Ucrânia, liderado pela França, pelo Reino Unido e pelo ‘establishment’ de segurança europeu em geral, reunirá na próxima semana. Segundo a imprensa ucraniana, o encontroo terá lugar na própria Ucrânia. De acordo com Volodymyr Zelensky, os conselheiros de segurança nacional da coligação concordaram em reunir na Ucrânia a 3 de janeiro. Segundo as mesmas fontes, a reunião será seguida por outro encontro entre líderes nacionais, previsto para 6 de janeiro em França.
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