Safe Away inova ao explorar saúde no mercado turístico

Os dois sócios, Hugo Ávila e Paulo Azevedo, saíram do hospital onde trabalhavam como enfermeiros para investir no projeto. Afirmam ter feito um grande investimento na Safe Away há cinco anos e que agora a empresa começa a ser viável.

Depois de 12 anos a trabalhar no hospital, durante os quais viam “montes de estrangeiros” perdidos pelos corredores, alguns em cadeira-de-rodas, que ali estavam durante as suas férias por algum evento não planeado, os enfermeiros Hugo Ávila e Paulo Azevedo decidiram criar a Safe Away. Resumidamente, é uma empresa que permite prestar cuidados aos turistas dentro das unidades hoteleiras, mas também é muito mais do que isso dado o vasto conjunto de serviços que presta.

“Adoramos viajar e a pior coisa que pode acontecer durante as férias é um evento não planeado”, afirma Paulo.

Há cinco anos começaram a planear a empresa e há dois começaram a trabalhar no terreno. Foi o grupo Savoy que lhes abriu as portas para o mercado de trabalho e dizem que o ninho da Safe Away foi no Royal Savoy, onde ficaram a trabalhar exclusivamente durante seis meses. Passado esse período alargaram os serviços para todo o grupo hoteleiro.

“O grupo Savoy foi tão inovador como nós. Acreditou num papel e numa ideia que estava na nossa cabeça”, reconhece Hugo.

Durante os seis meses que estiveram no Royal Savoy foram-se apercebendo de algumas necessidades, fazendo adaptações e somando serviços em linha com aquilo que o cliente-turista necessita. “Não tínhamos noção que devíamos ter uma carrinha e que nos iam aparecer situações de dentista”, conta Paulo.

A empresa introduziu no mercado uma componente inovadora, que lhes permitiu obter financiamento europeu, ao permitir que pessoas com alguma patologia possam, no seu país de residência, reservar serviços da Safe Away, de forma a não interromper assistências que já tinham programadas no seu país. Hugo Ávila explica que “antes de cá chegarem já têm um plano de assistência e sabem que, por exemplo, na segunda-feira e na sexta-feira o enfermeiro vai às 10h ao seu quarto de hotel para fazer o penso”.

Esta é uma vertente de serviços planeada da empresa, que, além de permitir ao turista não se deslocar para nenhum sítio para dar continuidade ao seu tratamento, em alguns casos o facto de a Safe Away se ocupar da assistência de saúde de um cliente também permite ao cuidador, “que cuida dessa pessoa 365 dias por ano e é uma tarefa altamente desgastante”, descansar e ter realmente um período de férias, “sabendo que o seu ente querido está a ser cuidado por uma equipa de profissionais de saúde, com todo o profissionalismo e cuidado necessário para que eles tenham umas férias tranquilas”, refere Hugo.

A Safe Away organiza ainda tours, uma opção para pessoas que necessitam de cuidados de saúde específicos, como é o caso dos invisuais.

Com as conversas que foram encetando com os hotéis aperceberam-se que as unidades hoteleiras e as receções têm uma necessidade muito grande de dar resposta àquele hóspede que liga e diz que quer ter um profissional de saúde no seu quarto. Até à data, Hugo sublinha que era sempre um problema os hotéis terem alguém disponível à hora que se quisesse, e, além do mais, que falasse línguas estrangeiras.

“Nós temos na empresa pessoas que falam alemão, francês e inglês e tivesse sempre em atenção esse aspeto, aliando a competência à capacidade de comunicação. Não me interessava ter só alguém que falasse, mas tinha de falar e ser competente”, explicou Hugo, acrescentando que a empresa foi construída de forma a estar alinhada com as necessidades do turista.

Paralelamente à vertente de serviços planeados, a Safe Away integrou também na sua atuação a vertente não planeada, para dar resposta aos eventos não planeados que ocorrem durante as férias. A empresa tem serviço de assistência de saúde integrada, 24 horas por dia, e uma linha direta telefónica de profissionais de saúde. Desta forma, qualquer evento no âmbito da saúde que ocorra dentro das unidades hoteleiras e que implique ser observado por algum profissional de saúde, seja médico ou enfermeiro, basta ligar à Safe Away e numa questão de minutos os profissionais estão à porta do quarto de hotel do cliente.

“Desta forma conseguimos aliar serviços planeados que as pessoas precisam ainda no seu país de residência de ver continuados no seu período de férias a uma situação de doença aguda que aconteceu no decorrer das férias”, frisa Hugo Ávila.

Relativamente a questões que estes profissionais não conseguem resolver dentro das unidades hoteleiras, a Safe Away tem parceria com o Hospital Particular da Madeira (HPM), dado que entendem que esta é a unidade particular com mais valências e que oferece mais garantias ao cliente na Região. No entanto, acompanham também os doentes que queiram fazer uso do seu Cartão Europeu de Saúde até ao Hospital Dr. Nélio Mendonça.

Paulo Azevedo sublinha que a Safe Away nunca abandona o cliente e acompanha-o em todas as fases, mesmo no caso de haver necessidade de se deslocar ao Hospital.
Os dois sócios caraterizam o serviço de “genuíno”, desenhado tendo em conta as particularidades do cliente turista. “O cliente turista não tem cá família, nós somos um pouco a família deles, não falam a língua e nós estamos cá para traduzir e para os encaminhar para os sítios certos”.

Paulo Azevedo diz que fala deste projeto “com paixão” e destaca o grau de compromisso e de agradecimento que os clientes têm para com a Safe Away. No seu entender, a Safe Away pode mesmo ser um argumento de venda e de decisão das pessoas pelo destino.

Levar a Safe Away para fora da Madeira está nos planos futuros, mas no curto e médio prazo Hugo Ávila diz que o objetivo é consolidar bem o serviço na Região, para depois pensar noutros destinos. “Há destinos portugueses que já estão, obviamente, debaixo de olho, mas é muito importante consolidar o serviço. Se nós não consolidarmos serviço e escalarmos para outros sítios, os problemas que nós temos também acabam por escalar”, conclui.

Conteúdo da edição de novembro do Económico Madeira.

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