Sassoli apela ao Eurogrupo: “Precisamos de encontrar formas novas e comuns de financiamento”

Em vésperas de nova ronda de negociações dos ministros das Finanças europeus, o Presidente do Parlamento Europeu defendeu que o Eurogrupo “tem de estar à altura do desafio” e que “o colapso de um país teria, inevitavelmente, consequências dramáticas para todos os outros”.

Com a União Europeia ainda dividida sobre a resposta económica e social à atual crise provocada pela Covid-19 e na véspera de uma nova reunião do Eurogrupo, o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, apelou aos países que encontrem novas formas de financiamento.

“Precisamos de criar um fundo de recuperação económica para partilhar os custos do relançamento das nossas economias. Isto exigirá muito dinheiro, o orçamento da UE é demasiado limitado e não será suficiente. Precisamos de encontrar formas novas, extraordinárias e comuns de financiamento”, disse o italiano, numa declaração divulgada esta quarta-feira.

O recado de Sassoli chega depois de uma maratona de negociações de 16 horas no Eurogrupo, sem que tenha sido possível chegar a acordo. A tensão continua elevada, especialmente entre Itália e Holanda, com os dois países a defenderem diferentes modelos sobre a condicionalidade das linhas de crédito do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE). Os ministros das finanças europeus voltam a reunir esta quinta-feira e Sassoli avisa que a resposta à crise “não é apenas uma questão de solidariedade, é do interesse de todos, dada a profunda interligação das economias europeias”.

“O colapso de um país teria, inevitavelmente, consequências dramáticas para todos os outros. Neste contexto, a resposta do Eurogrupo tem de estar à altura do desafio”, frisou.

Apesar de elogiar as medidas de apoio já apresentadas como o apoio aos sistemas nacionais para limitar o desemprego, através do pacote SURE, a flexibilização das condições de utilização do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), o refinanciamento do Banco Europeu de Investimento (BEI) para apoiar as pequenas e médias empresas e “a “bazuca” do BCE para apoiar a liquidez dos bancos e para a aquisição de obrigações públicas e privadas”, o presidente do Parlamento Europeu defendeu que “os governos nacionais têm de assumir uma grande parte da responsabilidade”.

“Porque é agora que precisamos dos instrumentos para ultrapassar esta emergência e começar com um plano de reconstrução. Temos de estar preparados para os efeitos desta crise e não nos deixarmos ir abaixo”, salientou.

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