PremiumSebastian Kurz: um jovem turco vestido de Príncipe Metternich (ou vice-versa)

Destruiu a coligação com os social-democratas do SPO, e depois a que mantinha com a extrema-direita do FPO. Ainda não se sabe se o vencedor das eleições de domingo tentará uma nova coligação com antigos parceiros, ou se avança para uma também possível coligação com os Verdes. Mas aquilo que parece claro é que o democrata-cristão de 33 anos só descansará quando tiver um governo que não dependa senão dele próprio.

Ministro dos Negócios Estrangeiros aos 27 anos, chanceler da Áustria aos 31, bem-falante e bem-parecido, dinâmico, enormemente autoconfiante, pragmaticamente lúcido. Nascido num país que, dizem alguns críticos, ainda não soube digerir completamente o fim do seu próprio império (o Austro-Húngaro) nem as tentações hegemónicas da velha Prússia, Sebastian Kurz tinha todas as caraterísticas para fazer regressar a Áustria ao lugar que os austríacos acham que é o dela.

O seu discurso tendencialmente nacionalista e rigoroso (ou antes, rígido) em relação à imigração e aos refugiados não podia deixar de atrair uma parte importante de uma nação que, até há menos de 100 anos, era a última fronteira de uma Europa que se abstinha de boa vizinhança com o lado de lá da linha de separação, onde o Império Otomano sucumbia ao seu próprio estertor mas ainda vivia.

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