Sector hoteleiro é sinónimo de mais eficiência energética

Hotéis continuam comprometidos com metas de redução da pegada ecológica. Investimentos vão desde paineis fotovoltaicos a carregamento elétrico.

Duas das maiores cadeias hoteleiras em Portugal têm vindo a apostar cada vez mais na eficiência energética.
O grupo Pestana investiu até 2019 “cerca de cinco milhões de euros em eficiência energética em projetos realizados em várias unidades. Atualmente, correm outros projetos em hotelaria e na ECM (Empresa de Cervejas da Madeira), que somam 1,3 milhões”, explica António Sousa Duarte, responsável pelos Serviços de Segurança e Energia, Pestana Hotelaria Portugal, do Pestana Hotel Group.

O grupo conta com um total de 100 hotéis e pousadas localizados em 16 países.

“As metas da empresa para os próximos anos serão retomar a contínua redução da pegada ecológica que se tem traduzido desde 2015 numa redução de consumos anual de 2% Kg de CO2 por quarto ocupado. Tais reduções têm sido obtidas pelo reforço do controlo operacional e implementação de projetos de eficiência energética, e ainda pelo recurso a fontes de energias alternativas”, diz.

Apesar da pandemia ter tido um grande impacto no sector da hotelaria, o grupo Pestana refere que vai retomar os projetos suspensos assim que o mercado recuperar.

“O impacto da pandemia na nossa atividade hoteleira está a ter proporções gigantescas. Tivemos vários meses com quase todas as nossas unidades encerradas e, mesmo nos meses em que algumas reabriram, com procura reduzida, conseguimos manter um grande controlo dos consumos energéticos combatendo o desperdício. Este tem sido o nosso grande objetivo nesta época de pandemia. Os projetos que tínhamos em estudo ou desenvolvimento, pese a sua suspensão parcial atual, mantêm-se como objetivo crucial do Grupo Pestana. Logo que regressem as condições de procura/reabertura das unidades, regressaremos ao ritmo de implementação que tínhamos em 2019”, segundo António Sousa Duarte.

Pela sua parte, a cadeia hoteleira Vila Galé tem para este ano uma “meta de redução a rondar os 2% no consumo energético, de gás e eletricidade, tendo em conta alguns investimentos previstos”.

Em termos de projetos concluídos, o diretor de Qualidade, Ambiente e Segurança do Vila Galé, Reinaldo Silhéu, dá o exemplo da “introdução de dois postos de carregamento elétrico em todas as 27 unidades hoteleiras em Portugal, o que nos permitiu reforçar a nossa capacidade de responder à procura crescente de uma mobilidade mais sustentável, por via dos veículos elétricos. Estamos também a implementar parques de painéis fotovoltaicos em quatro hotéis, sendo que neste projeto haverá uma segunda fase que passará por incluir um parque fotovoltaico no Alentejo, na herdade onde temos o Vila Galé Clube de Campo, que permita alimentar o hotel, mas também a adega e o lagar da Santa Vitória. Estamos ainda a avaliar a hipótese de projetar um ‘bairro solar’ na nossa nova sede, em Oeiras, que abriu há cerca de um mês, com o intuito de criar uma comunidade de energia renovável de produção local. E no Brasil estamos a estudar a criação de duas centrais fotovoltaicas, uma em Alagoas e outra em Touros”, um investimento total na ordem dos 10 milhões de reais (1,47 milhões de euros).

O grupo conta com 37 unidades hoteleiras, 27 em Portugal e 10 no Brasil.

No caso da instalação dos paineis fotovoltaicos em Portugal, o Vila Galé espera que esta operação esteja concluída até ao final de junho.

Em relação ao parque fotovoltaico no Alentejo, este projeto deverá arrancar ainda este ano. “No âmbito do nosso compromisso com a eficiência e sustentabilidade, no Brasil adotamos também a utilização certificada de energia limpa (proveniente de fontes eólica, solar, pequenas centrais hidroelétricas ou gerada a partir de biomassa) nas dez unidades que temos no país”, explica este responsável.

Em relação aos impactos negativos da Covid-19, Reinaldo Silhéu salienta que a pandemia fez com que “alguns processos não avançassem tão rapidamente como estava inicialmente previsto. Influenciou também a forma de investirmos, levando-nos a reforçar a aposta em modelos e projetos cujo investimento esteja validado por processos de poupança versus pagamento do investimento a longo prazo”.

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