Seguradores: “Em muitas empresas não há o hábito de investir em prevenção”, sublinha Generali

Há novos e emergentes riscos para os seguradores. O cyber insurance é um deles e apenas as empresas de maior dimensão ou com o maior desenvolvimento tecnológico estão sensíveis para as estas matérias. O testemunho de Luis Galrão, Risk Prevention Manager da Generali.

 

 

Estão as empresas portuguesas conscientes da necessidade de proteger as empresas e os negócios em termos de risco global, caso do cyber risk, do risco de mercado e cotações, do risco de intempéries e sinistros catastróficos ou até do risco de ausência de mão-de-obra devido ao envelhecimento da população?

Esta é uma área onde devemos segmentar as empresas pela sua dimensão e também pelo seu nível de complexidade. De facto, constata-se que as empresas de maior dimensão e/ou com maior desenvolvimento tecnológico são as mais sensíveis a estas matérias. Por conseguinte, também acabam por possuir estruturas, que não se verificam numa boa parte das PME.

 

A(o) seguradora/broker está apta(o) a responder às necessidades das empresas em termos de risk management? Quais os produtos que pode oferecer?

A Generali, através da sua estrutura de Risk Prevention, mais do que produtos, oferece um serviço distintivo aos seus clientes, que vai desde a identificação dos riscos até à apresentação de recomendações e acompanhamento da implementação das mesmas, bem como à consultadoria no desenvolvimento de novos projetos ou alterações às condições existentes, e ao desenho, implementação e acompanhamento de programas de prevenção.

 

Quais as áreas e atividade/negócio onde existe maior recetividade a nível de gestão de risco?

Já existem várias áreas de atividade onde o nível de gestão de risco é elevado. Destacaria a energia, a indústria automóvel, a distribuição e a logística.

 

Os gestores têm suficiente literacia para perceber a necessidade imediata de cobertura em termos de enterprise risk management?

Como referi, não podemos dissociar a dimensão das empresas e o nível de complexidade do seu negócio da abordagem à gestão de risco. Gostaríamos de encontrar mais empresas onde a existência de um Plano de Continuidade de Negócio fosse uma realidade, pois trata-se de uma matéria que envolve equipas multidisciplinares, onde se procede a um exercício contínuo de gestão de risco, exigente mas compensador. Esta é uma forma de garantir a resiliência do negócio, numa época em que as empresas não podem estar fora do seu mercado, sob pena dos seus concorrentes absorverem rapidamente a sua quota.

 

O que explica a ainda fraca penetração deste tipo de seguros no mercado nacional?

Julgamos ser uma questão de cultura local. Em muitas empresas não há o hábito de investir em prevenção, por exemplo em meios tão básicos  como a implementação de uns simples detetores de incêndio ou de uma brigada de emergência treinada para combater o início de incêndio.

No que respeita ao cyber insurance, é um assunto que tem vindo a ganhar acuidade pela sua mediatização, em consequência dos ataques que várias empresas têm sofrido por parte de hackers. Este tipo de ataques, a par da nova regulamentação de proteção de dados e suas implicações, representam novos e emergentes riscos.

Assim, para além da solução tradicional que é o seguro, o Grupo Generali acaba de lançar uma nova plataforma tecnológica, com o nome de “Majorana”. Esta plataforma usa metodologias inovadoras para gerir o risco, permitindo a implementação gradual da oferta de cyber insurance. A “Majorana” recolhe e analisa a informação do potencial cliente, começando pela análise sua estrutura web. Busca fugas de informação na dark web que tenham afetado o potencial cliente, e, finalmente, revê as eventuais vulnerabilidades no sistema de Tecnologias de Informação.

 

A sua empresa está em condições para montar e gerir uma cativa para um cliente final? Que tipo de cliente pode vir a deter uma cativa?

Não é função de uma seguradora como a Generali montar e gerir uma cativa. É a empresa segurada que, devido à sua grande dimensão, resolve suportar parcialmente ou totalmente  os seus riscos através de  seguradora constituída  para esse fim e que por isso se denomina “cativa”.

Ler mais
Recomendadas

Lesados do BES. António Costa “disse que acabou. Não há mais dinheiro”

Uma organizadora do movimento dos emigrantes lesados do BES em França contou hoje à Lusa que o primeiro-ministro, António Costa, lhe disse que não haveria mais dinheiro para além do que já foi acordado.

Adeus, caderneta bancária. Levantamentos de dinheiro acabam este sábado

Esta medida é uma consequência direta da entrada em vigor das novas regras europeias, que exigem mais segurança nas operações bancárias. Clientes do Montepio Geral, Caixa Geral de Depósitos e Crédito Agrícola vão ter de passar a usar somente o cartão de débito para levantar dinheiro.

Sindicatos bancários aplaudem “papel responsável” da DGERT e dizem que negociação para 2019 com o BCP “não está fechada”

Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários, Sindicato dos Bancários do Norte e Sindicato Independente da Banca asseguram que não voltarão “a baixar os braços” porque pediram 2,38% de atualização de tabelas e cláusulas pecuniárias e o banco retorquiu com 0,6%.
Comentários