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‘Shutdown’ afeta salários na Base das Lajes e Governo açoriano admite intervir

O acordo de cooperação militar da base das Lajes faz com que os seus trabalhadores estejam sob a alçada norte-americana, o que significa que recebem pagamentos quinzenalmente do governo norte-americano. Com o ‘shutdown’, esses pagamentos ficam comprometidos.
29 Outubro 2025, 13h54

A paralisação do governo norte-americano, que já dura há quase um mês, já afeta a Base das Lajes nos Açores. Os trabalhadores portugueses desta base não terão recebido o seu salário a 27 de outubro.

O acordo de cooperação militar da Base das Lajes faz com que os seus trabalhadores estejam sob a alçada norte-americana, o que significa que recebem pagamentos quinzenalmente do governo norte-americano.

Enquanto a quinzena de 17 de outubro foi paga com cortes, a de 27 de outubro ainda não foi liquidada. Este atraso coloca pressão nos trabalhadores e nas suas famílias, que não sabem quando é que vão conseguir receber outra vez, uma vez que o shutdown nos EUA, fruto da ausência de acordo entre as forças políticas nos EUA, não tem um fim à vista.

Perante esta situação, a comissão representativa dos trabalhadores (CRT) apela a que o Governo adiante os salários em atraso e posteriormente chegue a acordo com o governo norte-americano, tal como os governos de Espanha e da Alemanha fizeram.

“Os trabalhadores estão preocupados, desiludidos, tristes, estão a sentir-se abandonados. É uma situação complicada. As contas não esperam, cada dia que passa a situação agrava-se e nós precisamos de respostas”, afirmou a presidente da Comissão Representativa dos Trabalhadores (CRT) portugueses na Base das Lajes, Paula Terra.

Os ministérios da Defesa e dos Negócios Estrangeiros já afirmaram que estão a “avaliar soluções eventualmente possíveis face ao quadro normativo nacional vigente, com vista à redução desse impacto”. Contudo, perante uma inatividade do Governo nacional, o Governo Regional dos Açores referiu que assumirá o compromisso de adiantar os salários, caso o Governo nacional não o faça.

“Se o Governo da República não cumprir aquela que é a sua obrigação, o Governo Regional há de avançar com uma solução para que os trabalhadores não fiquem sem ordenado até o shutdown estar terminado”, afirmou Artur Lima, vice-presidente do Governo Regional dos Açores, à Lusa.

O vice-presidente do executivo açoriano garantiu que “há um trabalho de bastidores do Governo dos Açores junto do Governo da República para que isso se resolva”, mas ressalvou que “as coisas demoram o seu tempo”.

“Os trabalhadores não ficarão sem receber o seu salário se o shutdown continuar e não se sabe efetivamente quanto tempo vai durar”, assegurou.


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