Só come gelados com a testa quem quer

A ingerência evidente em situações de crise, onde este Governo provou mais um vez não estar à altura, prejudicou precisamente as regiões onde a incidência foi menor e onde a dependência do turismo é abismal.

Na inexistência de modelos perfeitos para lidar com a pandemia, quem governa Portugal fez o que sempre faz em situações que quer controlar, mas não consegue ou não sabe. A máquina propagandista bem oleada, diga-se de passagem, trata de pintar um quadro que embora fique bonito dentro de casa, nunca vai passar de uma imitação rasca comprada por meia dúzia de tostões.

Um Sistema Nacional de Saúde que não orgulha ninguém, pois as cativações de Mário Centeno também não permitiram grandes investimentos na saúde, aliando ao facto de todos os profissionais de saúde estarem esgotados com tamanha missão que ainda hoje enfrentam, é caso para questionar como é que isto aguentou tanto tempo sem descambar. A geografia e o comportamento exemplar da grande maioria explica facilmente esta questão.

É necessário termos também a honestidade em reconhecer que pouco se sabia sobre o vírus quando começamos a ter os primeiros casos em Portugal. Isto não implica a desculpabilização de quem governa. As decisões altamente centralizadas fizeram com que situações regionais fossem confundidas com questões nacionais, geridas por muitos boys e girls socialistas, esses sim, verdadeiros vírus pandémicos bem enraizados na máquina governativa.

Como seria de esperar, o mundo continuou a girar e outros países, em diferentes fases da pandemia, trataram de organizar a sua vida como melhor podiam, ao ponto de dar a possibilidade aos seus concidadãos de viajar para os mais variados destinos turísticos. É aqui que o justo paga pelo pecador, pelo menos em Portugal. Enquanto as instituições públicas nacionais trabalham para que os mais variados negócios e destinos tenham a fama e o selo Covid Free, somos confrontados com uma lista negra que basicamente penaliza-nos a todos. Os bem comportados… E os outros. Mas não estávamos a caminhar para o desconfinamento? Hoje sabemos que não.

A ingerência evidente em situações de crise, onde este Governo provou mais um vez não estar à altura, prejudicou precisamente as regiões onde a incidência foi menor e onde a dependência do turismo é abismal.

Não pretendo castigar (ainda mais) os titulares de cargos públicos do nosso País neste espaço de opinião, mas acima de tudo alertar para a redefinição de prioridades nas políticas levadas a cabo pelos próprios eleitos. A ciência, mais do que nunca, ganhou uma preponderância que é impossível descurar. As forças de segurança pública, parente pobre dos orçamentos de estado por uma questão ideológica, merecem um sinal de confiança pelos motivos mais óbvios. A carência de condições para desempenharem a sua nobre função é aterradora.

Nós partimos em desvantagem na retoma económica em relação aos restantes países da comunidade europeia porque os meus impostos não foram investidos onde deviam na altura certa. A ideia era poupar nestes últimos anos para que a bandeira da redução da dívida fosse hasteada bem lá no alto com um punho socialista. Poupar significava não gastar onde era necessário, mesmo que os serviços públicos continuem a deteriorar-se. No dicionário do Governo lê-se “cativações”.

Da próxima vez que um candidato político pedir-lhe o voto não tenha receio de questionar sobre o destino dos seus impostos e da maneira que pensam desenvolver a sua freguesia ou concelho. Não aceite que a final de uma Champions League sirva de prémio para quem cuida de nós na doença ou de quem garante a nossa segurança.

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